Franco Piavoli nasce em Pozzolengo, Itália em 21 de
junho de 1933. Produtor e diretor cinematográfico. Piavoli é laureado em
Advocacia, mas não atua na profissão, seu amor pela fotografia, sua atração por
biologia e a um tipo particular de cinema o leva a se especializar como
documentarista, seus primeiros curtas-metragens remontam 1954/1964. Piavoli
possui uma afeição particular pelo som e a fotografia, e usando do veículo
cinema encontra uma maneira toda especial para se expressar. Já em seus
primeiros experimentos demonstra sensibilidade e talento para captar os
sentidos das coisas que dão forma ao planeta com uma decupagem estética
acuradíssima. Piavoli inicia como um autodidata filmando em 16 e 35 mm e muitas
vezes com o auxilio de lentes adaptadas de máquinas fotográficas consegue
resultados espetaculares de som e imagem. Piavoli não se leva muito a sério,
mantém-se fiel ao seu estilo, a sua maneira artesanal de filmar, ao caminho
solitário que trava fora das salas de cinema. Não permite intromissões ou
qualquer tipo de aferimento por parte do cinema corporativista realizando
sozinho todas as etapas da produção. No começo dos anos 80’ ele é descoberto
pelo cineasta Silvano Agosti que surpreso com seu talento o incentiva a
realizar um longa-metragem. Assim nasce o primeiro filme mais elaborado de
Piavoli, intitulado “Il pianeta azzurro”
– Planeta Azul (1982), com o qual consegue se inscrever na Mostra de cinema de
Veneza. Para o filme Piavoli capta elementos minúsculos que geralmente passam
despercebidos aos sentidos, mas que possuem, não só uma geometria e cores
espetaculares, como também sons de surpreendente harmonia. O som da água, seu
movimento, o que carrega e o que esconde sob o leito dos rios; o som das
máquinas que auxiliam o homem no seu bem-estar; a voz dos animais e a do homem.
Esses elementos desapercebidos do dia a dia, os diferentes ruídos do campo e da
cidade, é disposto por Piavoli em uma composição que lembra os trabalhos mais
bem decupados de Andrej Tarkovskij. Piavoli reconstrói esses momentos
trabalhando com uma sensibilidade poética toda sua, formando um mosaico policrômico,
um concerto sinfônico, polifônico que desperta emoções e que eleva nossos
sentidos.
Planeta Azul é um filme de duração
normal e em 35 mm. Deveria ter sido feito “profissionalmente” por razões
técnicas. Foi concebido para ser visto na tela grande. A passagem de 16 mm para
35 mm no início foi difícil, fiquei intimidado, tinha medo, sobretudo, de ter
que me submeter às exigências distantes do meu modo singular e artesanal de
fazer cinema. Medo na verdade de ser condicionado pela máquina chamada cinema. Mas
depois vi que podia trabalhar da minha maneira e fiquei seguro (Franco Piavoli)
(FALDINI&FOFI, 1984, p. 628). Trad. Autor.
No cinema conceito ou cinema dos sentidos de Piavoli,
ou ainda cinema sinestésico como ele gosta que seja chamada suas experiências,
essas imagens ganham um novo significado após a montagem. Com tratamento e
recursos próprios e, sobretudo, pelo seu amor ao cinema; às vezes em companhia
de sua esposa, mas quase sempre um trabalho solitário. Em 2003 Piavoli
surpreende com o onírico “Al primo
soffio di vento” - Ao primeiro sopro do vento, filme em que ele desenvolve
a questão do despreparo psicológico do europeu no trato com o imigrante em seu
território. Em uma fazenda na Lombardia ele constrói minuciosamente a história
composta de jovens e fortes negros que trabalham felizes sob o calor escaldante
do mês de agosto. Seus patrões gozam do privilégio de ocupar o tempo em uma
biblioteca dentro da própria casa e a observar-lhes trabalhando duro. O filme
atinge o seu climax com o surrealismo das cenas do sonho do patrão, onde os
negros entram em sua casa para consultar os livros da biblioteca como se
fizessem parte da família. Os filmes de Piavoli abordam novidades que estimulam
os sentidos evocando contemporaneamente razão e emoção, filmes que nem sempre
necessitam de uma história concreta senão fragmentos da vida humana espelhados
sob o fluxo da vida no planeta.
Luigi Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com
Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.
chiozzottoit@gmail.com
Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.

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