sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Claudio Cupellini - fimes são protótipos onde o sucesso resulta dos diversos níveis de leitura

Claudio Cupellini
Claudio Cupellini nasce em 18 de fevereiro de 1973 em Camposampiero, Veneto, Itália. Roteirista e diretor cinematográfico. É um cineasta pertencente a uma nova geração de artistas italianos, formado pelo “CSC - Centro Sperimentale di Cinamatografia”, sua estreia na direção deu-se com o curta metragem Le diable au velo e em 2007 dirige seu primeiro longa intitulado Lezioni di cioccolato. Os filmes para Claudio Cupellini são protótipos onde o sucesso resulta dos diversos níveis de leitura que possuem, além da força e da originalidade do roteiro que lhes precede. O grande ator italiano Toni Servillo recebeu no “Festival Internazionale del Film di Roma”, o Prêmio “Marc'Aurelio d'Argento” de Melhor Ator atuando no seu filme “Una Vita Tranquilla” (2010).

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com
Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Giulio Paradisi, o cineasta que cunhou o termo Paparazzi como fotógrafo de celebridades


La dolce Vita de Fellini


Giulio Paradisi nasce em Roma, Lazio, Itália em 21 de março de 1934. Ator, roteirista e diretor cinematográfico. Estuda no Centro Sperimentale di Cinematografia de Roma diplomando-se como ator. Inicialmente trabalha em dois filmes de Federico Fellini em La dolce vita (1960), no papel de um fotógrafo que faz free lance para Marcello Mastroianni e em “8½ (1963), como um amigo de Mastroianni. Com Fellini, Paradisi dá vida a um personagem cujo sobrenome no filme La dolce vita torna-se um substantivo que define um tipo particular de fotógrafo jornalista que persegue celebridades para fotografá-las para tablóides populares, o incomodo Paparazzi. Paradisi também trabalha como assistente de direção de Fellini, oficio que fará ainda para Luigi Comencini antes de migrar para a profissão de diretor. Debuta na direção com o filme Terzo canale – Avventura a Montecarlo (1970), tornando-se conhecido por seus dois melhores filmes Ragazzo di Borgata (1976) e Spaghetti House (1982), com Nino Manfredi, Leo Gullotta. Em 1983 aceita um convite do amigo Ermano Olmi para voltar a atuar em seu filme Cammina cammina no papel de Astioge.

Luiz Chiozzotto 
chiozzottoit@gmail.com 
Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Peter Marcias, um cineasta comprometido com a existência humana

Peter Marcias
Peter Marcias nasce em 5 de dezembro de 1977, em Oristano, Sardenha, Itália. Roteirista, produtor e diretor. Ao sentirmos a referência Cinema sardo, a primeira coisa que nos vem em mente são cabras pastando em montanhas e no horizonte o mar e a segunda o nome do diretor De Setta, um dos maiores cineastas italianos de todos os tempos, todavia, em 1977 nasce um novo pupilo no Cinema dessa ilha italiana, Peter Marcias. Não obstante o referencial que construímos sobre a Sardenha, este diretor da jovem guarda italiana atravessa as fronteiras de sua ilha e penetra fundo em nossos corações, abordando com profundidade, emoção e comiseração temas universais. Marcias diploma-se em Cinematografia na Scuola Superiore di Cinema di Barbarano Romano em Viterbo, Itália, dirige diversos significativos curtas-metragens e documentários como La recita (2000); Il regalo (2001); L'alba (2002) e Il canto delle cicale (2004), e os documentários Ritorno a Serra valle (2003); Antonio Romagnino (2005); Io sono um citadino (2006); Mala Spagna non era cattolica? (2007) e Liliana Cavani - Una donna nel cinema (2010). Esses filmes foram verdadeiros experimentos e misturam realidade e ficção que construíram o imagético deste cineasta contemporâneo. Em 2006 em um filme coletivo chamado Bambini, Marcias dirige o episódio chamado Sono Alice. Em 2008 dirige sozinho o filme Un attimo sospesi, um filme comprometido com a existência humana, sobre a dificuldade do ser humano em atingir a plenitude de seu ser, sobre acertar contas com o passado. O filme é ambientado em Roma, o que lhe dá uma áurea genuína em função de toda história conservada em suas ruinas e sobretudo pelo encontro de diversas raças que coabitam a cidade eterna por séculos.


Luiz Chiozzotto
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Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Francesco Nuti o rosto italiano mais popular dos anos 80


Francesco Nuti -  foto Studio Vezzoli
Francesco Nuti nasce em 17 de maio de 1955, em Prato, Toscana, Itália. Ator, roteirista, diretor cinematográfico. Sua carreira no cinema tem início no preâmbulo dos anos 80’, ao participar como ator no filme Ad ovest di Paperino (1982), de Alessandro Benvenuti, no mesmo ano alia-se a Maurzio Ponti participando como ator em três filmes: Madonna che silenzio c'è stasera (1982), cujo roteiro também é escrito por Nuti. O filme é um sucesso na década de 80’ e garante-lhe a participação, sempre como ator, em Io, Chiara e lo Scuro (1983), e em Son contento (1983), ambos de Maurzio Ponti. Seu rosto encanta na tela e seus filmes tornam-se sucesso de público rapidamente. Sua popularidade, aliada ao seu talento artístico o faz sentar-se sobre a cadeira de diretor em Casablanca, Casablanca (1985), todavia o filme não agrada tanto como o que fará a seguir. Tutta colpa del paradiso também de 1985 tem um roteiro escrito junto com Vincenzo Cerami e Giovanni Veronesi e é a confirmação de que Nuti é um excelente diretor. Francesco Nuti fecha os anos 80 em uma escalada de sucesso que o leva sempre ao alto tornando-se uma das personalidades que mais influenciaram a sociedade italiana na década. Nos anos 90’ seus projetos não conseguem repetir os sucessos da década anterior e em 2006 sofre um acidente em sua casa e fratura o crânio vindo a ficar em coma e posteriormente bastante debilitado de suas habilidades profissionais, criativas e, sobretudo físicas.

Luiz Chiozzotto
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Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Felice Farina, o cineasta que conceituou a luta de classes no cinema

Felice Farina

Felice Farina nasce em Roma em 14 de agosto de 1954. Produtor, roteirista e diretor cinematográfico. Um apaixonado da sétima arte, um artista da experimentação. Na sua biografia já aos nove anos de idade exercita suas primeiras experiências com uma câmera super 8 e usando seu irmão mais novo como ator. Para muitos um cineasta de vanguarda. Aproxima-se do cinema através de Carlo Ventimiglia, um diretor de fotografia italiano, operador de câmera que trabalhava com efeitos especiais para o cinema com muita competência e improvisação. Com Ventimiglia, Farina desenvolve sua capacidade de inovar e, sobretudo, experimentar novos caminhos para expressar sua linguagem através do cinema. Farina estreia como diretor com o filme “Sembra morto... ma è solo svenuto” – Parece morto... mas só está desmaiado (1986), com Sergio Castellitto como ator. Na trajetória de sua cinematografia é interessante observar que a cada filme realizado há um crescimento, seja a nível técnico que intelectual. Com seu filme “Pátria” (2004) ele desenvolve uma trama psicológica muito interessante, incluindo imagens de arquivo de lutas de classe, com intersecções com problemas atuais da Itália. Sua narrativa é mais uma vez inovadora ao interligar fatos reais de arquivo a imagens geradas por ele mesmo. Através de um retorno no tempo sobre questões sociais, políticas e econômicas da história dos trabalhadores italianos Farina ao mesmo tempo fala sobre o poder da amizade entre pessoas de pensamentos e convicções diversas.

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com
Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Sergio Martino, o cineasta que inovou e revolucionou os custos de filmes de horror


Sergio Martino na capa de seu livro autobiografia
Sergio Martino nasce em Roma em 19 de julho de 1938. Roteirista, produtor e diretor cinematográfico. Martino pertence a uma família de cineastas, é neto do diretor Gennaro Righelli quem na infância o levava ainda de calças curtas ao cinema; é irmão do produtor Luciano Martino e cunhado da atriz Edwige Fenech. Sergio Martino corresponde a um contingente de cineastas italianos que realiza cinema de gênero visando suprir um mercado externo profícuo e composto de telespectadores apreciadores de horror, thriller e ficção científica, particularmente com aquele estilo italiano. Já aos produtores e compradores de filmes para exibirem em cinemas no exterior seu trabalho é interessante. Do ponto de vista econômico eles são inovadores ao convergirem técnicas artesanais a um alto grau de verossimilhança, conseguindo obter excelentes resultados seja estético que de bilheteria. Martino consegue isso mesmo trabalhando com baixíssimo orçamento. Esse mercado foi bastante promissor durante os anos 1970 em decorrência da situação tensa vivida pelo mundo, constantemente sob o pavor de uma catástrofe nuclear oriunda da guerra fria. Considerando aquele contexto mundial, esse gênero gozava de certa correspondência ao que se vivia no dia a dia daqueles anos. Martino fomentou esse mercado manipulando criativamente técnicas de enquadramento, movimento de câmera e montagem impondo um ritmo que revoluciona o cinema levando-o a um alto grau de qualidade. Martino fazia muito bem isso numa época em que o computador não existia em nenhuma das fazes da produção de um filme. Devido ao baixo custo de produção de um filme que Martino conseguia, ele competia diretamente com as produções caríssimas de Hollywood do mesmo período. Mas se por um lado Martino consegue realizar filmes com baixo orçamento, o fato de realizar filmes de baixo orçamento o canalizaram num nicho de cineastas aos quais era dado sempre pouco para se receber bastante, impedindo-o de certa forma de explorar melhor a sua criatividade e de consequência realizar filmes melhores com maiores orçamentos. Martino realiza também filmes nos E.U.A onde influencia sobremaneira cineastas que realizavam filmes nesse gênero naquele país, tendo seus produtos (filmes) exportados para diversos países, principalmente para o mercado do Oriente.


Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com
Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Piero Vivarelli, o inventor do personagem Django no cinema italiano


Franco Nero em Django, criação de Vivarelli e filme com direção de Sergio Corbucci 

Piero Vivarelli nasce em 26 de fevereiro de 1927, em Siena, Toscana, Itália. Ator, roteirista e diretor cinematográfico. Vivarelli é um Intelectual que brinda o cinema com sua grandeza de espirito e sua genialidade criativa; circula tranquilamente pelos ambientes da política e da cultura italiana, mesmo sendo um membro ativo do partido comunista. Entretanto, a sua amizade com Fidel Castro lhe permite ser o único italiano com a honra de ser inscrito no partido Comunista Cubano, até a decepção dos anos 90’ fazê-lo abandonar o partido. Curiosamente o seu último filme é também em Cuba, sobre uma dançarina cubana, filmado na ilha e chama-se: La rumbera (1998). Seu debute na direção se dá com Sanremo - La grande sfida (1960), um filme dentro de um seguimento popular denominado "Musicarello", um subgênero italiano que consiste em fazer filmes para divulgar cantores, suas músicas; seu primeiro filme nesse gênero é uma comédia musical ambientada no famoso festival de música que acontece em Sanremo. O evento e o seu 1º filme tiveram outras conotações na vida de Vivarelli quando a letra das músicas 24.000 baci e Il tuo bacio è come un rock, de autoria de Piero Vivarelli faz enorme sucesso na voz de Adriano Celentano. Um episódio interessante a respeito da música 24.000 baci (1961), grande vencedora de Sanremo, escrita em coautoria com Lucio Fulci, é que Adriano Celentano não podia cantá-la no festival uma vez que prestava serviço militar à época, Vivarelli então consegue com que o Ministro da Defesa Giulio Adreotti permita mediante a observação da lei de forma inusitada. Andreotti entendeu que a lei não previa proibição para o veículo TV, uma vez que era de 1929, antes de a TV ter sido transformada em diversão de massa. Sempre envolvido com a música e seus autores, Vivarelli dirige outros filmes cujo tema de fundo era a música e os protagonistas, quase sempre cantores e cantoras de sucesso do período, dentre eles Io bacio... tu baci (1961), com Mina; Rita, La figlia americana (1965), com Rita Pavone e Totò. Como roteirista deu vida a Django (1966), dirigido por Sergio Corbucci, filme que tem uma nova versão intitulada Django Livre (2012), dirigida por Quentin Tarantino, um forte admirador de Vivarelli. Piero Vivarelli morre em 7 de setembro de 2010 em Roma, Itália.

Luiz Chiozzotto chiozzottoit@gmail.com Texto ensaio do livro
de Luiz Chiozzotto.

domingo, 4 de novembro de 2018

Paolo Bianchini o cineasta Embaixador das crianças pobres da Unicef

Paolo Bianchini no set de Sole dentro
Paolo Bianchini nasce em Roma, Itália 1931. Assistente de direção, roteirista e diretor cinematográfico. No período compreendido entre os anos de 1953 a 1964, antes de abraçar a direção cinematográfica, Bianchini foi assistente de inúmeros grandes diretores italianos, dentre eles Vittorio De Sica, Luigi Comencini, Sergio Leone, Mario Monicelli. Sua verve humanitária o levou a estrear na direção explorando um tema que durante décadas foi celeuma no mundo ocidental: os erros da guerra, assim em 1964 lança seu longa-metragem Sette contro la morte, com Rosanna Schiaffino e Nino Castelnuovo - embora algumas fontes apontem Edgar G. Ulmer como diretor e Paolo Bianchini como assistente, entretanto é em função de exigências dos produtores que seu nome é preterido nos créditos. Entre o final dos anos 60 e a década de 70 dirigiu muitos filmes no gênero western, muito bem feitos, mas com um elenco sem estrelas, dentre eles Dio li crea... Io li ammazzo! - Deus os Cria, Eu os Mato (1968), cujo roteiro é de Fernando Di Leo. Paolo Bianchini também está entre os diretores que participaram da captação de imagens do documentário L'addio a Enrico Berlinguer (1984). A partir dos anos 90 dirigiu vários filmes para TV italiana, dentre eles um destaque para La grande Quércia (1997), onde o tema mais uma vez tem como pano de fundo a guerra, um filme pouco conhecido, elogiado pela crítica e que fora visto por um público mais frequentador de circuitos culturais. Em 2002 é empossado Embaixador da Unicef pelos seus esforços para a resolução das questões envolvendo crianças pobres, tema que inclusive ele explora no seu filme Il sole dentro (2012), com Angela Finocchiaro, Diego Bianchi, Giobbe Covatta.

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com

Texto ensaio do livro de Luiz Chiozzotto.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

O Cinema de Martinelli é contundente e provocador nas questões de impunidade



Cena de Ustica: The Missing Paper
Renzo Martinelli
Renzo Martinelli nasce em 1948, em Cesano Maderno, Lombardia, Itália. Roteirista, produtor e diretor cinematográfico. Antes de começar a dirigir filmes estuda Literatura estrangeira e Ciências Políticas, aos poucos vai adentrando no mundo da imagem, primeiramente produzindo e dirigindo filmes publicitários, vídeo clips e documentários entre as décadas de 70’ e 80’, até finalmente em 1993 dirigir “Sarahsarà”, um filme sobre a vida de uma nadadora sul africana que em consequência de um acidente fica com defeitos físicos e mesmo com toda dificuldade realiza sonhos e consegue vitórias no mundo líquido. O Cinema de Martinelli é antes de tudo contundente, provocador; as vezes irascível ao apontar questões de impunidade não resolvidas na história. Em Sarahsarà Martinelli fala abertamente sobre racismo; no filme seguinte “Porzûs” (1997), sobre os comunistas italianos que durante a guerra fria assassinaram cruelmente partigianos (partidários) e ficaram impenitência. Com “Vajont - La diga deldisonore” (2001), ressuscita a história verídica de um trágico deslizamento de terra decorrente de uma represa que fora construída mal e não suportou os 50 milhões de metros cúbicos de água matando 2000 pessoas em 1963. Em 2003 profetizou os horrores dos atentados do Fundamentalismo Islâmico com Il mercante di pietre. Por fim em 2015 dirige “Ustica: The Missing Paper”, que conta a história de um avião DC9 que caiu entre as ilhas de Ponza e Ustica em 1980, e teve divergências entre o que de fato aconteceu e o que foi dito que teria acontecido neste trágico acidente aéreo. Os temas de seus filmes abrangem o sofrimento decorrente da ausência de punição, encontrando a motivação de seus projetos em infortúnios que podem acontecer em qualquer lugar e com qualquer um.

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com

Texto ensaio do livro de Luiz Chiozzotto.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Di Robilant e seus personagens alienados pela cultura oral e visual


Cartaz de Mauro C’há da fare de Di Robilant
Alessandro Di Robilant nasce em 23 de outubro de 1953 em Pully, Suíça. Ator, roteirista e diretor cinematográfico. Di Robilant é ítalo-suíço; provém da experiência de filmes publicitários e fez diversos curtas-metragens antes de ingressar em longas-metragens. Foi assistente de importantes diretores como Lattuada, Comencini, Monicelli. Estudou na London Film School, graduando-se como diretor de cinema e faz sua estreia com o longa-metragem Anche lei fumava il sigaro... (1985). O filme conta a história de amor entre uma prostituta e um roqueiro; agrada a crítica, mas passa desapercebido pelo público. A partir de Il giudice ragazzino (1994), Di Robilant passa a seguir um percurso cinematográfico que reverencia a denúncia social. Escreve o roteiro junto de Ugo Pirro; o gênio do cinema político; roteirista de Indagine su un cittadino al di sopra di ogni sospetto (1970). Il giudice ragazzino faz sucesso junto ao público italiano e é bem visto também pela crítica. No geral a obra cinematográfica de Di Robilant é marcada por personagens que ao buscarem afirmação como sujeitos sociais, acabam por se tornar perdidos em estereótipos imaginados a partir do que veem nas imagens de videoclipes, programas de TV e nos heróis de histórias em quadrinhos. Os seus tipos sociais representados são conformistas, desinteressados por questões políticas, e vão de violentos e estúpidos a alienados televisivos; leem pouco e baseiam sua realidade na imagem da subcultura pop norte americana. Em 2015 Di Robilant dirige “Mauro C’há da fare”, onde aborda um tema cada dia mais presente no dia a dia dos jovens recém-formados em cursos de graduação: bater de frente com uma sociedade sem trabalho. Mauro (Carlo Ferreri), por não ter nada para fazer, acaba tendo muito tempo para reflexões existenciais e assim, descobrindo-se num mundo de incompetentes que, ao contrário dele, trabalham. Vivendo em uma família burguesa que descobriu tarde que diplomas não servem a quase nada hoje em dia, Mauro acaba por se envolver em situações típicas de um desocupado intelectualizado e chato, que no lugar de melhorar o mundo, ataca-o.

Luiz Chiozzotto
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Texto ensaio do livro de Luiz Chiozzotto.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Mimmo Calopresti, um cineasta italiano de veia investigativa


Mimmo Calopresti e Silvio Orlando no set do documentário La fabbrica dei tedeschi
Mimmo Calopresti nasce em 4 de janeiro de 1955 em Polistena, Calábria, Itália. Roteirista, produtor, ator e diretor cinematográfico. Sua origem meridional e a trajetória de sua família em direção ao norte da Itália em busca de trabalho, irão contribuir para sua formação como diretor de cinema. Filho de um costureiro que trocou seu estúdio para trabalhar na Fiat como operário costureiro e todas as consequências disso, nortearão Calopresti no seu percurso artístico. O cinema é um ambiente onde uma expressiva fração de cineastas têm origem em famílias burguesas; Calopresesti ao contrário, é de origem no proletariado da indústria automobilística italiana. Na década de 80, dá seus primeiros passos em direção ao mundo do cinema, trabalhando na AAMOD – Arquivo Audiovisivo do Movimento Operário e Democrático. Ali Calopresti desenvolve sua veia investigativa de pesquisador, característica que o aproxima do cinema verità. Realiza diversos documentários, tendo como fundo, questões sociais em torno da identidade dos sujeitos no mercado de trabalho em sociedades globalizadas; a desfragmentação dessas identidades em função de um maior contato entre diferentes culturas num mesmo espaço de território. Por fim a mobilidade dos sujeitos, cada vez mais em função da necessidade de encontrar trabalho fora de seu lugar de origem. Sobre o tema do movimento do Homem sobre territórios, em 2017 Calopresti dirige o documentário intitulado “Immondezza”. Com sua câmera Calopresti segue o caminho dos resíduos humanos deixados pelos seus deslocamentos. Ele percorre e filma uma área de 350 km, do Monte Etna até o Vesúvio retratando o contraste entre a beleza das paisagens e o lixo acumulado no trajeto. Do período que Calopresti trabalhou na AAMOD, sua obra mais conhecida é o documentário Alla Fiat era così (1990), quando os relatos de sua família foram de suma importância para a veracidade do documentário. Cinco anos mais tarde, Calopresti empreende a estrada da ficção, ao fazer sua estreia na direção de um longa-metragem intitulado “La seconda volta” (1995), uma história profundamente dramática e dura, sobre o encontro de uma vítima da Brigada Vermelha com um ex-brigadista. O roteiro vence o Prêmio Solinas e o filme é apresentado na Sessão Oficial do Festival Cannes.


Luiz Chiozzotto
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Texto ensaio do novo livro de Luiz Chiozzotto.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Franco Zeffirelli um cineasta americanizado


Franco Zeffirelli nasce em 12 de fevereiro de 1923, em Firenze, Toscana, Itália sob o nome de Gian Franco Corsi. Figurinista, produtor de Óperas, diretor cinematográfico e teatral. Zeffirelli inicia na cena do cinema italiano como ator interpretando Filippo Garrone em L'onorevole Angelina (1947), de Luigi Zampa. E é pelas mãos do figurinista Umberto Tirelli que Zeffirelli conhece Luchino Visconti podendo assim iniciar a trabalhar com o que realmente gosta. Primeiramente como figurinista nos palcos do Teatro sob a direção de Visconti e concomitantemente no Cinema como seu Assistente de direção nos filmes La terra trema, Bellissima e Senso. Para muitos, Franco Zeffirelli é considerado um sucessor de Luchino Visconti. Após essa experiência Zeffirelli alterna-se na adaptação de obras de Shakespeare que seriam encenadas nos palcos de Teatro como Metropolitan, Covent Garden, la Scala, numa ponte aérea de sucesso entre Milão, Londres e Nova York. E é também com esse repertório lírico que Zeffirelli cria aquilo que será sua marca registrada no cinema quando nas décadas de 60, 80 e 90, leva com sucesso e inovação Shakespeare para as telas. São marcantes os filmes The Taming of the Shrew (1967), com Elizabeth Taylor, Richard Burton; Romeo and Juliet (1968), com Leonard Whiting, Olivia Hussey; Otello (1986), com Plácido Domingo, Katia Ricciarelli, Justino Díaz; por fim Hamlet (1990), com Mel Gibson, Glenn Close, Alan Bates. Filmes que têm por característica serem de produção norte-americana e dentro dos cânones dessa cinematografia, restando de suas origens italianas apenas a atmosfera renascentista com sua recriação minuciosa dos palácios e das vestimentas que compunham a época do Renascimento. O distanciamento de Zeffirelli do cinema italiano talvez tenha feito a crítica italiana não observá-lo como merecia o seu cinema, mas não foi sempre assim, quando Zeffirelli debuta na direção cinematográfica em 1958 com Camping com Nino Manfredi, Paolo Ferrari, Marisa Allasio, a crítica italiana chama a experiência do jovem diretor de solta e viva. Por outro lado é nesse filme que Zeffirelli começa a demonstrar seu desinteresse pelas suas origens e firmar suas intenções em americanizar-se. Depois de concluída as filmagens de Camping, Zeffirelli desaparece do set indo para os E.U.A., como recorda o próprio Nino Manfredi que se vê sozinho e com a responsabilidade de montar um filme que nem é seu. “Ao final das filmagens foram embora todos, Zeffirelli vai para Dallas, Ponti escapou para alguma outra parte, não me lembro bem por qual motivo, havia já qualquer rolo, eu fiquei sozinho para tentar montar o filme, que depois porem, fez muito dinheiro” (Nino Manfredi) (BERNARDINI, p.34) Trad. do Autor. Há ainda que se considerar que Manfredi, supondo um insucesso do filme diante o pouco interesse de Zeffirelli dá aos personagens da história traços regionais bem típicos aproveitando o melhor da interpretação de Paolo Ferrari e Leo Benvenuti. O pouco envolvimento de Zeffirelli com Camping já a época denota um desinteresse por histórias do dia a dia italiano, vindo a referenciar fora suas próximas histórias no cinema, notadamente em língua inglesa, de certa forma evitando o ethos do povo italiano. Seu cinema quase sempre coloca em foco a dificuldade dos adolescentes de viverem no mundo. Ele os retrata com muita condescendência em sua solidão, infelicidade e na impossibilidade de conquistarem a realização no amor, acabando quase sempre de maneira trágica como um eterno Romeu e Julieta. Os melhores filmes sobre essa tragédia do amor adolescente configuram-se na sua própria versão de Romeu e Julieta, onde pela primeira vez, até então, os protagonistas da história são adolescentes. Com Fratello sole, sorella luna (1972), com Graham Faulkner, Judi Bowker, Leigh Lawson o mundo que sustenta a história é aquele de adolescentes. Outra comovente história ambientada na adolescência é o desesperador, triste e comovente "Storia di una capinera" (1993), com Angela Bettis, Johnathon Schaech, Eva Alexander; onde dois adolescentes são impedidos de ficar juntos pela condição de noviça da protagonista Maria (Angela Bettis) e seus votos de fé dirigidos a Jesus Cristo – um filme tão sincero e profundo no tema que certamente fará com que qualquer pai, por mais religioso que seja, jamais deixe sua filha entrar para um convento religioso. O internacionalismo cinematográfico de Zeffirelli lhe trouxe louros e reconhecimento mundial, mas também impediu que oferecesse oportunidade a jovens italianos de ingressarem uma carreira no cinema pelo seu set, como o fez com diversos outros de nacionalidades diferentes; dentre eles Tom Cruise que debuta como ator no set de seu filme Endless Love em 1981. Em 2004 entra para a política pelo partido de centro-direita Forza Italia de Silvio Berlusconi tornando-se um Senador do governo italiano. 

Luiz Chiozzotto 
chiozzottoit@gmail.com 

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sábado, 27 de outubro de 2018

Aurelio Grimaldi, um cineasta erótico ou pornográfico?!


Escritor e cineasta Aurelio Grimaldi

Aurelio Grimaldi nasce em Ragusa, Modica, Itália em 1957. Professor de escola média, escritor, roteirista e diretor cinematográfico. Antes de escrever roteiros para Damiano Damiani, Marco Risi, Tinto Brass, Grimaldi, foi professor em escola de adolescentes italiana, e como tal flertou pela primeira vez com o Cinema. A tela grande gostou dele e seu romance Mary per sempre é transformado em filme por Marco Risi abrindo-lhe as portas ao mundo do espetáculo. Após diversos trabalhos como roteirista e livros publicados, Grimaldi se sente preparado para alicerçar sua carreira como diretor de Cinema e em 1992 dirige seu primeiro longa-metragem: La discesa di Aclà a Floristella, projetado no Festival de cinema de Veneza daquele ano, um filme forte e corajoso sobre a exploração de um menino italiano espancado e molestado sexualmente em uma mina de enxofre. Em 1993 dirige La ribelle, tendo como protagonista a jovem atriz Penelope Cruz, à época no inicio de sua carreira, o filme sensibiliza Locarno e o nome de Grimaldi começa a ser respeitado como diretor. Em 1994 é premiado pela Crítica no Festival de Rotterdam com o filme Le buttane (1994), uma história adaptada de seu próprio livro. Em 1998 Grimaldi desvenda o erotismo dirigindo filmes inusitados frente a sua trajetória até então em Il macellaio, o papel de Alba Parietti no filme transforma-a em sex simbol italiano vindo a aparecer exaustivamente na TV italiana daquela década; em seguida dirige La donna lupo (1999), filme que é visto por alguns como além de erótico, e para outros até como um pornô; e por fim o pouco expressivo L'educazione sentimentale di Eugénie de 2005, lançando desta vez a jovem atriz Sara Sartini com muita sensualidade e erotismo. Em 2003 Grimaldi aponta sua câmera para o tema amor, dessa vez comungando a mensagem através da biografia de seu ídolo bolonhês Pasolini em Un mondo d'amore sobre a história da vida do professor e cineasta de Bolonha Pier Paolo Pasolini antes de sua consagração como cineasta. Além dos filmes Aurelio Grimaldi tem publicado também livros: Nfernu veru (1985), Storia di Enza (1991), Palermo che muore Palermo che nasce (1994) e I Violanti (1995).

Luiz Chiozzotto
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Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.



sexta-feira, 26 de outubro de 2018

O minimalismo de Amelio e sua especial predileção pelo gênero semidocumentário são o seu estilo


Giovanna Mezzogiorno  e Gianni Amelio no set de La tenerezza (2017)
Gianni Amelio nasce em San Magisano, Catanzaro, Itália em 20 de janeiro de 1944. Roteirista e diretor cinematográfico. Quando criança seus país migram para a Argentina, onde permanece até sua adolescência. De volta à Itália estuda Filosofia e ao concluir inclina-se para a arte cinematográfica, consegue trabalho na revista Giovane Critica como crítico cinematográfico. A trajetória de Amelio num set cinematográfico se expande em meio a cineastas ideológicos e que operam muito bem a técnica e a semântica da linguagem cinematográfica, cineastas que fazem da câmera verdadeiros veículos de expressão revolucionária. Torna-se ajudante de direção de Bertolucci e Questi; assistente de direção para Cavani, Ugo e para o autoral De Seta em Un uomo a metà (1966), por fim como operador de câmera para Puccini. Amélio mostra especial interesse pelo neorrealismo e por histórias, cujo núcleo está na relação pai e filho. Para Amelio a figura da criança, em especial àquela oriunda do sul da Itália é presente em diversos de seus filmes. Ugo Gregoretti abre para ele o mundo da TV, veículo com o qual viverá momentos de alegria e desalento, refugiando-se nela por bastante tempo, e é com a RAI que Amelio consegue aquilo que os produtores privados não lhe dão: dinheiro para realizar seus projetos cinematográficos. Na TV faz sucesso o seu filme Piccolo Archimede (1979) onde Amelio encontra o equilíbrio entre seu desejo de expressão autoral com uma narrativa coerente com o meio televisivo, algo inovador e arriscado para a lógica televisiva. Seus filmes não buscam particularmente o público, são na verdade experiências que o levam a fazer questionamentos e comparar o veículo TV àquele cinematográfico. Abre a década de 70 surpreendendo a todos com o filme La città del sole (1973), filme produzido pela RAI para a TV, com o qual Amelio vence o Gran prêmio no Festival de Thonon. Aos 38 anos Amelio realiza seu primeiro trabalho exclusivo para o cinema dirigindo Colpire il Curore , apresentado na Mostra cinematográfica de Veneza. O filme é caracterizado como forte e maduro por abordar o difícil tema do terrorismo. Amelio concentra e dá ênfase exclusiva à relação humana entre pai e filho em detrimento aquela política oriunda de atos terroristas. E em 1990, com Porte aperte, tendo no elenco Gian Maria Volontè no papel principal, Amelio é indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro ampliando a visibilidade ao seu trabalho fora da Itália. Em 1992 é nomeado membro do Júri na 49ª edição da Mostra de cinema de Veneza, e em 1995 também no Festival di Cannes. Em 1998 com com Così ridevano, um filme muito autoral vence o Leão de Ouro em Veneza. O minimalismo de Amelio e sua especial predileção pelo gênero semidocumentário além do gosto pelos temas de conflitos de gerações tornam-se uma marca registrada de seu estilo. E em meio a um cinema mais banalizado do que nunca, os filmes de Amelio são um elogio a sétima arte. Com La tenerezza (2017) nos sentimos transportados para um cinema de essência, a atmosfera criada a partir do romance de Lorenzo Maraone: La tentazione di essere Felice, e a surpreendente fotografia de Luca Bigazzi, remetem-nos aos melhores anos da cinematografia italiana, o Olimpo cinematográfico que Gianni Amelio sempre perseguiu, até nos seus mais claustrofóbicos anos na televisão.

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com

Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

A cinegrafia de Francesco Amato, uma mistura da sátira italiana com o humor norte americano



Francesco Amato nasce em Turim, Lombardia, Itália em 1978. Editor, roteirista e diretor cinematográfico. Amato começa como a maioria dos cineastas italianos fazendo documentários e curtas, mas talvez seu feito mais inspirador é o que ele faz com Ma che ci faccio qui! (2006), seu trabalho de conclusão de curso no Centro Sperimentale di Cinematografia - CSC. Considerado um filme inovador, torna-se o primeiro longa-metragem produzido dentro do CSC. Coproduzido pela RAI CINEMA recebe 35 cópias contemporaneamente distribuídas pelo Instituto Luce e exibido não só nos cinemas da Itália como em outros 20 países vencendo prêmios em São Francisco, E.U.A e Annecy, França. No ano seguinte a esse grande feito como estudante, Amato vence uma bolsa de estudos no Estúdio New York Film Academy para o curso de direção cinematográfica. Com o filme “Lasciati andare” (2017), realizado dez anos depois de retornar dos E.U.A, Amato dá vida a uma comédia ao estilo hollywoodiano, recitada no dia a dia de uma família que vive no gueto romano. O filme possui ingredientes das clássicas comédias norte americanas dos anos 50 que celebraram Grant, Hepburn e Tracy. Deixando de lado o desejo de encontrar características de identidade italiana nas personagens de Lasciati andare, ver o grandioso Tony Servillo num papel cômico é delicioso, sua simpatia transcende a personagem de Elia Venezia, ao encarnar um psicanalista materialista, culto, intelectual que envelheceu, mas não está preparado para esse momento. Amato acompanha os passos desse estereotipado judeu que para se recompor fisicamente se envolve com a personal trainer espanhola Claudia (Veronica Echequi), pouco inteligente, jovem, espirituosa e de corpo escultural. Ao observar mais atentamente a ainda pequena cinematografia de Amato o que nos damos conta é de estarmos diante um cineasta de talento, conhecedor da técnica e com muito respeito à interpretação dos atores. Diante a globalização e a sua influência na identidade dos sujeitos pós-modernos, de repente não contextualizar as histórias no éthos italiano pode ser justificado, mas deixa no ar uma sensação de inverossímil se tentamos encaixá-la no contexto italiano. Amato é um cineasta das palavras, antes de qualquer coisa um bom narrador, talvez por isso sua habilidade em contar histórias universais é o forte de seu estilo. E a história, entendida aqui como aquela tipicamente italiana, acaba quase sempre por impor resistência ao que é de outra cultura nas obras de Amato, tornando efêmera no contexto da realidade de seu tempo e do lugar que retrata.

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Enrico Oldoini o cineasta arrependido

Casting de 13dici a tavola de Enrico Oldoini


Enrico Oldoini nasce em 4 de maio de 1946, em La Spezia, Itália. Ator, roteirista, diretor cinematográfico. Oldoini Inicia no cinema pelas mãos de Bernardino Zapponi escrevendo para Pasquale Festa Campanile, Paolo Cavara, Marco Ferreri, Alberto Lattuada, Nanni Loy, Maurizio Ponzi, Dino Risi, Carlo Verdone, Lina Wertmüller dentre outros. Seus filmes têm na narração seu ponto de força, muitas vezes é a história contada em 3ª pessoa a protagonista no lugar dos atores e atrizes. Essa sua maneira de valorizar o texto consegue no decurso do tempo fazer rendosas parcerias com astros como Adriano Celentano, Renato Pozzetto, Alberto Sordi, Ornella Muti e roteiristas como Franco Ferrini, Francesco Nuti e até produtores como Di Laurentiis. Em 1982 Oldoini escreve a quatro mãos com Carlo Verdone a história e o roteiro de Borotalco (1982), durante essa convivência Verdone consegue fazer Oldoini acreditar ser possível dirigir filmes e assim em 1984 Oldoini faz seu debute como diretor cinematográfico. O filme se chama Cuori nella tormenta (1984), e o protagonista dessa sua primeira experiência na direção é o próprio Carlo Verdone. Com os anos Oldoini se mostra um cineasta que não temeroso, o motivo pode ser a máquina de produção cinematográfica que pouco permite ousar, ou talvez se não lhe fosse dado tantos filmes de fundo puramente comercial teríamos conhecido melhor o seu estilo, a sua sensibilidade. Uma vez sobre isso ele desabafou: “Se você quiser você pode me chamar de 'diretor acidental ou cineasta por acidente, mas devo mencionar que eu nasci um escritor, e em 20 anos eu também assinei Borotalco, Io Chiara e lo scuro, Una botta di vita. A verdade é que De Laurentiis me pedia para fazer sempre o mesmo filme, escrito sob medida para o mesmo comediante.” - la Repubblica – 12 de fevereiro de 1995 - título: OLDOINI REGISTA PENTITO, Leandro Palestrini. Trad. Autor. Em 1994 rompe definitivamente com De Laurentiis e pôde a partir dai realizar o seu primeiro filme autoral: Miracolo italiano, entretanto, o filme mostra-se um fracasso de público e de crítica. No ano seguinte Oldoini joga a toalha e se volta para a TV comercial onde dirige seriados e filmes, todavia, em 2004 seu desencantamento pelo cinema comercial e a consequente impossibilidade de realizar algo mais autoral encontra um momento de lenimento com 13dici a tavola, uma comédia agridoce ao estilo Morangos Silvestres de Ingmar Bergman, mas distante das encantadoras sutilezas do diretor sueco, cuja melancolia vem disfarçada pelas recordações da juventude vividas em família, repleta de flashbacks onde Giulio (Giancarlo Giannini) reencontra avós, pais, tias, irmãos e primos.

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com

Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

O cineasta dos sentidos - Franco Piavoli



Franco Piavoli nasce em Pozzolengo, Itália em 21 de junho de 1933. Produtor e diretor cinematográfico. Piavoli é laureado em Advocacia, mas não atua na profissão, seu amor pela fotografia, sua atração por biologia e a um tipo particular de cinema o leva a se especializar como documentarista, seus primeiros curtas-metragens remontam 1954/1964. Piavoli possui uma afeição particular pelo som e a fotografia, e usando do veículo cinema encontra uma maneira toda especial para se expressar. Já em seus primeiros experimentos demonstra sensibilidade e talento para captar os sentidos das coisas que dão forma ao planeta com uma decupagem estética acuradíssima. Piavoli inicia como um autodidata filmando em 16 e 35 mm e muitas vezes com o auxilio de lentes adaptadas de máquinas fotográficas consegue resultados espetaculares de som e imagem. Piavoli não se leva muito a sério, mantém-se fiel ao seu estilo, a sua maneira artesanal de filmar, ao caminho solitário que trava fora das salas de cinema. Não permite intromissões ou qualquer tipo de aferimento por parte do cinema corporativista realizando sozinho todas as etapas da produção. No começo dos anos 80’ ele é descoberto pelo cineasta Silvano Agosti que surpreso com seu talento o incentiva a realizar um longa-metragem. Assim nasce o primeiro filme mais elaborado de Piavoli, intitulado “Il pianeta azzurro” – Planeta Azul (1982), com o qual consegue se inscrever na Mostra de cinema de Veneza. Para o filme Piavoli capta elementos minúsculos que geralmente passam despercebidos aos sentidos, mas que possuem, não só uma geometria e cores espetaculares, como também sons de surpreendente harmonia. O som da água, seu movimento, o que carrega e o que esconde sob o leito dos rios; o som das máquinas que auxiliam o homem no seu bem-estar; a voz dos animais e a do homem. Esses elementos desapercebidos do dia a dia, os diferentes ruídos do campo e da cidade, é disposto por Piavoli em uma composição que lembra os trabalhos mais bem decupados de Andrej Tarkovskij. Piavoli reconstrói esses momentos trabalhando com uma sensibilidade poética toda sua, formando um mosaico policrômico, um concerto sinfônico, polifônico que desperta emoções e que eleva nossos sentidos.

Planeta Azul é um filme de duração normal e em 35 mm. Deveria ter sido feito “profissionalmente” por razões técnicas. Foi concebido para ser visto na tela grande. A passagem de 16 mm para 35 mm no início foi difícil, fiquei intimidado, tinha medo, sobretudo, de ter que me submeter às exigências distantes do meu modo singular e artesanal de fazer cinema. Medo na verdade de ser condicionado pela máquina chamada cinema. Mas depois vi que podia trabalhar da minha maneira e fiquei seguro (Franco Piavoli) (FALDINI&FOFI, 1984, p. 628). Trad. Autor.

No cinema conceito ou cinema dos sentidos de Piavoli, ou ainda cinema sinestésico como ele gosta que seja chamada suas experiências, essas imagens ganham um novo significado após a montagem. Com tratamento e recursos próprios e, sobretudo, pelo seu amor ao cinema; às vezes em companhia de sua esposa, mas quase sempre um trabalho solitário. Em 2003 Piavoli surpreende com o onírico “Al primo soffio di vento” - Ao primeiro sopro do vento, filme em que ele desenvolve a questão do despreparo psicológico do europeu no trato com o imigrante em seu território. Em uma fazenda na Lombardia ele constrói minuciosamente a história composta de jovens e fortes negros que trabalham felizes sob o calor escaldante do mês de agosto. Seus patrões gozam do privilégio de ocupar o tempo em uma biblioteca dentro da própria casa e a observar-lhes trabalhando duro. O filme atinge o seu climax com o surrealismo das cenas do sonho do patrão, onde os negros entram em sua casa para consultar os livros da biblioteca como se fizessem parte da família. Os filmes de Piavoli abordam novidades que estimulam os sentidos evocando contemporaneamente razão e emoção, filmes que nem sempre necessitam de uma história concreta senão fragmentos da vida humana espelhados sob o fluxo da vida no planeta.


Luigi Chiozzotto
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Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Sessão comédia erótica para despertar e aplacar consciências - Nando Cicero


Nando Cicero nasce em Asmara, Eritreia, Etiópia em 22 de janeiro de 1931. Ator, Roteirista e Diretor italiano. Inicia no Cinema como Ator e contemporaneamente trabalha como Assistente de direção de grandes diretores italianos como Francesco Rosi, Luchino Visconti e Roberto Rossellini. Faz sua estréia na direção com “Lo scippo” (1965), comédia com Enrico Maria Salerno e Gabriele Ferzetti. Sua carreira a partir da década de sessenta se resume na direção de filmes western e comédias, entre o elenco de estrelas que dirigiu ao longo de seus vinte filmes estão Franco Franchi, Ciccio Ingrassia, Klaus Kinsk, Gabriele Ferzetti, Lando Buzzanca, Lino Banfi, Rossana Podestà, Gloria Guida, Marisa Mell, Nadia Cassini, Edwige Fenech. Durante os anos 70’, quando dirigiu comédias eróticas, muitas vezes foi classificado como pornográfico. Tinha atrizes como Edwige Fenech, Gloria Guida exibindo partes de seus corpos de maneira sensual, porém com a motivação para o riso, um apelo à liberação da mulher nos anos 60’. Esses filmes geralmente ganhavam restrições da censura sendo permitidos somente para maiores de 18 anos nas salas de cinema e quando muito para maiores de 14 anos. Essa componente erótica que Cicero usa hoje passa despercebida nas imagens veiculadas em TV e Cinema. Nando Cicero morre em Roma, em 5 de agosto de 1995.

Luigi Chiozzotto
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sábado, 18 de agosto de 2018

Sessão spaghetti western para despertar e aplacar consciências - Ferdinando Baldi




Ferdinando Baldi nasce em Cava dei Tirreni, Campagna, Itália em 19 de maio de 1917. Laureia-se em Letras e após a conclusão da Universidade ministra aulas por um pequeno período até iniciar no cinema em 1952. Dirige no começo Comédias e filmes de entretenimento tendo oportunidade durante a carreira de trabalhar com grandes estrelas como Orson Welles, Franco Nero, Terence Hill, Ben Gazzara. Ao dirigir Texas, addio - Adeus, Texas (1966), Baldi ingressa no gênero Spaghetti Western com Franco Nero e Luigi Pistilli no elenco. E em 1968 dirige Terence Hill em Preparati La bara!- Viva Django! Em 1971 dirige Ringo Star no filme O Justiceiro Cego - Blindman, um ano depois de ele ter deixado a banda Beatles e ter iniciado carreira solo. Encerra sua carreira em filmes de baixo orçamento sobre histórias ambientadas na guerra do Vietnã. Seu último filme é de 1988, intitulado Missione finale, no qual usa o pseudônimo de Ted Kaplan; em alguns filmes também usa o pseudônimo Ferdy Baldwin. Ferdinando Baldi morre em Roma, Lazio em 12 de novembro de 2007.

Luigi Chiozzottochiozzottoit@gmail.com

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Sessão spaghetti western para despertar e aplacar consciências - Michele Lupo




Michele Lupo nasce em 4 de dezembro de 1932 em Corleone, Sicília, Itália. Assistente de Direção, Diretor cinematográfico. Inicia como Assistente de direção para diversos Diretores de carreira, na sua maioria oriundos do cinema mudo. Com o Diretor Guido Brignone trabalha como Assistente de Direção em Nelsegnodi Roma - O Escudo Romano (1952), com Anita Ekberg, Folco Lulli, um filme de batalha romana, tema que fazia sucesso como gênero na época; também trabalha como Assistente de direção em Il colosso di Rodi - O Colosso de Rodes (1961), do jovem diretor Sergio Leone. Seu início de carreira como cineasta irá encontrar nesse gênero Aventura sua maior inspiração e será um dos melhores Diretores desse seguimento de filmes. Por fim em 1962 faz sua estreia como Diretor com o filme Maciste, Il gladiatore più forte del mondo - Os Gladiadores do Império Romano, em seguida ainda dirige com uma técnica de excelência outros filmes cujas tramas e títulos se repetem: Maciste, l'eroe più grande del mondo (1963); Gli schiavi più forti del mondo (1964)”. Em 1966 no auge do Spaghetti Western dirige Arizona Colt com o jovem Giuliano Gemma como protagonista. O nome de Michele Lupo faz sucesso nas telas ao lado de Gemma e 11 anos depois escala outra vez Gemma em outro Western ainda melhor: California - Califórnia Adeus (1977). A partir dos anos 80’ realiza diferentes filmes com Bud Spencer atingindo altos índices de sucesso popular, cujos longas Uno sceriffo extraterrestre... poco extra e molto terrestre - O Xerife e o Pequeno Extraterrestre (1979) e Lo chiamavano Bulldozer (1978), são os melhores. Após percorrer diversos gêneros, do mitológico, cômico, thriller, aventureiro ao Western, Michele Lupo morre em Roma em 27 de junho de 1989.

Luiz Chiozzotto
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terça-feira, 24 de julho de 2018

Valerio Zurlini o cineasta do sentimento amoroso



Jean-Louis Trintgnant e Eleonora Rossi Drago em State Violenta - Valerio Zurlini

É incrível como o que separa os diretores do passado com os de nossa época não são apenas os anos, e em alguns casos a ausência física em decorrência da morte de alguns. O que é bastante evidente da parte dos cineastas mais antigos e se concentra no conteúdo de suas obras. Elas quase sempre vêm com algo a mais, metáforas escondidas em chaves de linguagem que denotam uma preocupação que vai além daquela da forma e do conteúdo e se estruturam em bases eruditas. Os filmes nascem de uma observação da realidade em base a leitura dos clássicos da literatura, da troca de informações com outros representantes do mundo artístico e literário. O diretor bolonhês Valério Zurlini, formado em Direito e História da Arte faz uma trajetória artística pautada pela ética a qual vem notada pelo seu rigoroso método que contempla uma valoração tanto da forma como do conteúdo. Os seus filmes vão além de simples entretenimento, possuem reflexões que abarcam questionamentos políticos, sociais, por fim denuncias feitas através de histórias e personagens que ao mesmo tempo divertem, entristecem. Filmes que têm em comum a característica de nos fazer refletir, despertar consciência para as desigualdades a que estamos sujeitos na sociedade. Com “State violenta” - Verão violento (1959) Zurlini parafraseia a queda do fascismo ao narrar em paralelo semântico à história da aventura amorosa burguesa da jovem viúva Roberta (Eleonora Rossi Drago) forçada a desistir de seus sonhos de amor por Carlo (Jean-Louis Trintignant), um jovem mais novo do que ela, em função de um tabu social. Zurlini nessa sua segunda obra de ficção, cuja história é sua e tem o roteiro escrito junto de Suso Cecchi D'Amico e Giorgio Prosperi continua a demonstrar uma especial atenção à questão da condição feminina na sociedade, tema que abordará em outros filmes. Em State violenta o conflito oriundo do desejo do casal de ficar juntos em meio a preconceitos da sociedade burguesa concorre com o conflito bélico da II guerra e a queda do fascismo. State violenta é ao mesmo tempo um lugar especial para Zurlini explorar o seu tema preferido, a crise existencial emanada da diferença de idade entre amantes de mundos contraditórios. Na constituição das personagens principais Carlo é um jovem de caráter frágil em consequência da vida protegida garantida pelo pai, um interlocutor fascista de relevo na casta social construída por Mussolini. Por sua vez Roberta pertence a uma família tradicional burguesa, é mãe de uma menina pequena e viúva de um oficial militar italiano que lhe impôs uma vida de reclusão, insatisfação amorosa e de falsas aparências. A classe social privilegiada a que ambos pertencem fragiliza suas personalidades no mesmo tempo que os protege do envolvimento direto no palco de operações militares da guerra. A condição geográfica de Riccione, cidade balneária distante dos movimentos de tropas e ataques aliados, serve-lhes também de escudo e proteção. As explosões de morteiros e bombas sentidas a distância é um contraponto ao amor socialmente proibido que explode em seus corações. É difícil para Carlo e Roberta suportar a dor do preconceito vivendo entre a mentalidade provinciana daquela cidade, mas também é perigoso deixá-la diante as circunstâncias da guerra. As luzes dos ataques aéreos inimigos são vistas a noite com indiferença numa distância segura o suficiente para ser contemplada apenas como um espetáculo visual. Sob essas luzes eles se beijam pela primeira vez numa festa intima oferecida por Carlo aos amigos em meio a símbolos fascistas que decoram a casa de seu pai. Os olhares de escárnio e preconceito dos jovens amigos ricos vêm de encontro à decisão de Carlo em assumir seu amor por Roberta; difícil é também para ela aceitar o desprezo da mãe e dos parentes do militar morto. Tais disparates vão ambientar o conflito existencial do casal durante o verão violento de 1943, quando a derrocada do regime fascista começa a explodir em diversas cidades italianas.

Luiz Chiozzotto
(Texto fragmento do ensaio de Luiz Chiozzotto sobre o cinema italiano) chiozzottoit@gmail.com

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Sessão spaghetti western para despertar e aplacar consciências - Roberto Mauri




Roberto Mauri nasce em 1924, em Castelvetrano, Sícilia, Itália. Ator, Roteirista, Diretor cinematográfico. Seu primeiro filme como Diretor Vite perdute - As Portas do Inferno (1959) traz consigo um elenco de estrelas, dentre elas Virna Lisi, Sandra Milo e ele próprio atuando no elenco. Seus trabalhos abarcarão diferentes gêneros, spagheti western, Horror, Aventura, Thriller, sobre este último vale a pena assistir ao filme Le notti della violenza (1965), com Alberto Lupo, Marilù Tolo, Lisa Gastoni, uma perola de sua cinematografia, um figurino com um visual bastante psicodélico num filme a frente de um estilo que viria na década seguinte a dar nome ao popularmente conhecido na Itália como film Giallo = filme amarelo - era chamado originalmente de giallo um tipo de Livro de poucas páginas, cujas capas eram de cor amarela e continham histórias amorosas que envolviam traição, suspense, horror e intrigas, e davam bons enredos a filmes do gênero popular. Le notti della violenza é um clássico do gênero giallo marcado por uma atmosfera noir, por movimentos de câmera que aludem, e uma bela demonstração da femme fatale italiana pela presença sensual de três lindas mulheres no elenco, Lisa Gastoni, Helene Chanel e Marilu Tolo. Do ponto de vista da criatividade em titular seus filmes Mauri pode ser considerado um dos melhores; vale a pena recordar aqueles mais exóticos, curiosamente todos no gênero spagheti western: Il segno del vendicatore; La vendetta è il mio perdono; ...e lo chiamarono Spirito Santo; Seminò morte... lo chiamavano il Castigo di Dio!; Bada alla tua pelle Spirito Santo!. Roberto Mauri é um Diretor que se tivesse tido mais recursos e talvez mais empenho em alcançá-los, poderia ter feito muito mais e melhor durante sua trajetória como Cineasta. 

Luiz Chiozzotto.

chiozzottoit@gmail.com