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| Bud Spencer e Terence Hill |
Franco Rossi nasce em 28 de abril de 1919, em
Florença, Toscana, Itália. É um dos cineastas mais inteligentes e com obras
autorais de maior significado para a cinematografia na história do cinema
italiano. Inicia pelas mãos de Vergano, Camerini, Castellani, para quem foi assistente
de direção. Seu debute na direção ocorre em Solo
per te Lucia (1952), mas será Il
sedutore (1954), o seu melhor filme dessa década; divertido, romântico, ao
estilo “comédia de casais que não vão bem na relação”. O filme é ainda uma das
melhores interpretações da primeira fase da carreira de Alberto Sordi
ambientado em Roma, a cidade natal de Sordi. No início da década de sessenta, agora
sob influência do ritmo da vida romana e na eminência de dirigir Smog um de seus mais autobiográficos
trabalhos, Rossi revela:
Eu não sou de Roma, mas de Roma eu gosto
de tudo, méritos e defeitos, vícios e virtudes. Pertenço à geração daqueles
provincianos que, subitamente se veem vivendo na capital pouco depois da
guerra, enamoram-se imediatamente dos sorrisos das mulheres e da tranquila
arrogância dos homens. (...) (Franco Rossi) (FALDINI&FOFI, 1984, p. 427)
Trad. Autor.
Sob essa visão da cidade eterna nasce “Smog” (1962), uma espécie de Dolce vita ao contrário, no qual Rossi
investiga italianos que vivem em Hollywood submetendo-se a uma vida
materialista, privada de valores humanos e trabalhando como serviçais de
americanos ricos e de vida fútil. Esse pequeno mundo ilusório é questionado
pelo advogado materialista Vittorio Ciocchetti interpretado com primazia por
Enrico Maria Salerno. O filme conta com um roteiro inteligente e diálogos muito
bem construídos por um grupo seleto de talentos como Franco Brusati, Pasquale
Festa Campanile, além de interpretações surpreendentes de Annie Girardot e
Renato Salvatori, que na época eram casados. O outro grande filme autoral de Rossi
é o anterior a Smog, cujo ator Enrico
Maria Salerno também interpreta uma espécie de antropólogo e se chama Odissea nuda (1961), ambientado no Taiti
e na Polinésia francesa. Os dois filmes juntos representam grandes momentos de
sua carreira, duas verdadeiras obras de arte da cinematografia mundial. Mas de
repente desvia o foco para produções comerciais e é seduzido pela TV. Faz
inúmeros filmes comerciais, e pequenas participações em curtas metragens ao
lado de outros diretores sobrando pouco de sua marca, cujo ritmo dinâmico e
reflexivo permanecem como única coisa boa de seu estilo. Em 1968 Rossi está
definitivamente trabalhando como empregado na RAI, sendo responsável pelo
primeiro projeto de mini série levado ao ar pela emissora, Odissea. Dirige todos os oito episódios que inauguram um seguimento
televisivo que fará tremendo sucesso na TV. Na década de 70’, quando sua
carreira parece estagnar-se ele dirige outra vez para a tela grande Porgi l'altra guancia - Dois
Missionários do Barulho (1974), curiosamente o melhor filme da dupla Bud Spercer
e Terence Hill e exibido pela RAI na abertura da celebração à Bud Spencer na
ocasião de sua morte em 2016. Rossi morre em 05 de junho de 2000, em Roma.
Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com
Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.














