terça-feira, 30 de outubro de 2018

Mimmo Calopresti, um cineasta italiano de veia investigativa


Mimmo Calopresti e Silvio Orlando no set do documentário La fabbrica dei tedeschi
Mimmo Calopresti nasce em 4 de janeiro de 1955 em Polistena, Calábria, Itália. Roteirista, produtor, ator e diretor cinematográfico. Sua origem meridional e a trajetória de sua família em direção ao norte da Itália em busca de trabalho, irão contribuir para sua formação como diretor de cinema. Filho de um costureiro que trocou seu estúdio para trabalhar na Fiat como operário costureiro e todas as consequências disso, nortearão Calopresti no seu percurso artístico. O cinema é um ambiente onde uma expressiva fração de cineastas têm origem em famílias burguesas; Calopresesti ao contrário, é de origem no proletariado da indústria automobilística italiana. Na década de 80, dá seus primeiros passos em direção ao mundo do cinema, trabalhando na AAMOD – Arquivo Audiovisivo do Movimento Operário e Democrático. Ali Calopresti desenvolve sua veia investigativa de pesquisador, característica que o aproxima do cinema verità. Realiza diversos documentários, tendo como fundo, questões sociais em torno da identidade dos sujeitos no mercado de trabalho em sociedades globalizadas; a desfragmentação dessas identidades em função de um maior contato entre diferentes culturas num mesmo espaço de território. Por fim a mobilidade dos sujeitos, cada vez mais em função da necessidade de encontrar trabalho fora de seu lugar de origem. Sobre o tema do movimento do Homem sobre territórios, em 2017 Calopresti dirige o documentário intitulado “Immondezza”. Com sua câmera Calopresti segue o caminho dos resíduos humanos deixados pelos seus deslocamentos. Ele percorre e filma uma área de 350 km, do Monte Etna até o Vesúvio retratando o contraste entre a beleza das paisagens e o lixo acumulado no trajeto. Do período que Calopresti trabalhou na AAMOD, sua obra mais conhecida é o documentário Alla Fiat era così (1990), quando os relatos de sua família foram de suma importância para a veracidade do documentário. Cinco anos mais tarde, Calopresti empreende a estrada da ficção, ao fazer sua estreia na direção de um longa-metragem intitulado “La seconda volta” (1995), uma história profundamente dramática e dura, sobre o encontro de uma vítima da Brigada Vermelha com um ex-brigadista. O roteiro vence o Prêmio Solinas e o filme é apresentado na Sessão Oficial do Festival Cannes.


Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com

Texto ensaio do novo livro de Luiz Chiozzotto.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Franco Zeffirelli um cineasta americanizado


Franco Zeffirelli nasce em 12 de fevereiro de 1923, em Firenze, Toscana, Itália sob o nome de Gian Franco Corsi. Figurinista, produtor de Óperas, diretor cinematográfico e teatral. Zeffirelli inicia na cena do cinema italiano como ator interpretando Filippo Garrone em L'onorevole Angelina (1947), de Luigi Zampa. E é pelas mãos do figurinista Umberto Tirelli que Zeffirelli conhece Luchino Visconti podendo assim iniciar a trabalhar com o que realmente gosta. Primeiramente como figurinista nos palcos do Teatro sob a direção de Visconti e concomitantemente no Cinema como seu Assistente de direção nos filmes La terra trema, Bellissima e Senso. Para muitos, Franco Zeffirelli é considerado um sucessor de Luchino Visconti. Após essa experiência Zeffirelli alterna-se na adaptação de obras de Shakespeare que seriam encenadas nos palcos de Teatro como Metropolitan, Covent Garden, la Scala, numa ponte aérea de sucesso entre Milão, Londres e Nova York. E é também com esse repertório lírico que Zeffirelli cria aquilo que será sua marca registrada no cinema quando nas décadas de 60, 80 e 90, leva com sucesso e inovação Shakespeare para as telas. São marcantes os filmes The Taming of the Shrew (1967), com Elizabeth Taylor, Richard Burton; Romeo and Juliet (1968), com Leonard Whiting, Olivia Hussey; Otello (1986), com Plácido Domingo, Katia Ricciarelli, Justino Díaz; por fim Hamlet (1990), com Mel Gibson, Glenn Close, Alan Bates. Filmes que têm por característica serem de produção norte-americana e dentro dos cânones dessa cinematografia, restando de suas origens italianas apenas a atmosfera renascentista com sua recriação minuciosa dos palácios e das vestimentas que compunham a época do Renascimento. O distanciamento de Zeffirelli do cinema italiano talvez tenha feito a crítica italiana não observá-lo como merecia o seu cinema, mas não foi sempre assim, quando Zeffirelli debuta na direção cinematográfica em 1958 com Camping com Nino Manfredi, Paolo Ferrari, Marisa Allasio, a crítica italiana chama a experiência do jovem diretor de solta e viva. Por outro lado é nesse filme que Zeffirelli começa a demonstrar seu desinteresse pelas suas origens e firmar suas intenções em americanizar-se. Depois de concluída as filmagens de Camping, Zeffirelli desaparece do set indo para os E.U.A., como recorda o próprio Nino Manfredi que se vê sozinho e com a responsabilidade de montar um filme que nem é seu. “Ao final das filmagens foram embora todos, Zeffirelli vai para Dallas, Ponti escapou para alguma outra parte, não me lembro bem por qual motivo, havia já qualquer rolo, eu fiquei sozinho para tentar montar o filme, que depois porem, fez muito dinheiro” (Nino Manfredi) (BERNARDINI, p.34) Trad. do Autor. Há ainda que se considerar que Manfredi, supondo um insucesso do filme diante o pouco interesse de Zeffirelli dá aos personagens da história traços regionais bem típicos aproveitando o melhor da interpretação de Paolo Ferrari e Leo Benvenuti. O pouco envolvimento de Zeffirelli com Camping já a época denota um desinteresse por histórias do dia a dia italiano, vindo a referenciar fora suas próximas histórias no cinema, notadamente em língua inglesa, de certa forma evitando o ethos do povo italiano. Seu cinema quase sempre coloca em foco a dificuldade dos adolescentes de viverem no mundo. Ele os retrata com muita condescendência em sua solidão, infelicidade e na impossibilidade de conquistarem a realização no amor, acabando quase sempre de maneira trágica como um eterno Romeu e Julieta. Os melhores filmes sobre essa tragédia do amor adolescente configuram-se na sua própria versão de Romeu e Julieta, onde pela primeira vez, até então, os protagonistas da história são adolescentes. Com Fratello sole, sorella luna (1972), com Graham Faulkner, Judi Bowker, Leigh Lawson o mundo que sustenta a história é aquele de adolescentes. Outra comovente história ambientada na adolescência é o desesperador, triste e comovente "Storia di una capinera" (1993), com Angela Bettis, Johnathon Schaech, Eva Alexander; onde dois adolescentes são impedidos de ficar juntos pela condição de noviça da protagonista Maria (Angela Bettis) e seus votos de fé dirigidos a Jesus Cristo – um filme tão sincero e profundo no tema que certamente fará com que qualquer pai, por mais religioso que seja, jamais deixe sua filha entrar para um convento religioso. O internacionalismo cinematográfico de Zeffirelli lhe trouxe louros e reconhecimento mundial, mas também impediu que oferecesse oportunidade a jovens italianos de ingressarem uma carreira no cinema pelo seu set, como o fez com diversos outros de nacionalidades diferentes; dentre eles Tom Cruise que debuta como ator no set de seu filme Endless Love em 1981. Em 2004 entra para a política pelo partido de centro-direita Forza Italia de Silvio Berlusconi tornando-se um Senador do governo italiano. 

Luiz Chiozzotto 
chiozzottoit@gmail.com 

Texto ensaio do novo livro de Luiz Chiozzotto.

sábado, 27 de outubro de 2018

Aurelio Grimaldi, um cineasta erótico ou pornográfico?!


Escritor e cineasta Aurelio Grimaldi

Aurelio Grimaldi nasce em Ragusa, Modica, Itália em 1957. Professor de escola média, escritor, roteirista e diretor cinematográfico. Antes de escrever roteiros para Damiano Damiani, Marco Risi, Tinto Brass, Grimaldi, foi professor em escola de adolescentes italiana, e como tal flertou pela primeira vez com o Cinema. A tela grande gostou dele e seu romance Mary per sempre é transformado em filme por Marco Risi abrindo-lhe as portas ao mundo do espetáculo. Após diversos trabalhos como roteirista e livros publicados, Grimaldi se sente preparado para alicerçar sua carreira como diretor de Cinema e em 1992 dirige seu primeiro longa-metragem: La discesa di Aclà a Floristella, projetado no Festival de cinema de Veneza daquele ano, um filme forte e corajoso sobre a exploração de um menino italiano espancado e molestado sexualmente em uma mina de enxofre. Em 1993 dirige La ribelle, tendo como protagonista a jovem atriz Penelope Cruz, à época no inicio de sua carreira, o filme sensibiliza Locarno e o nome de Grimaldi começa a ser respeitado como diretor. Em 1994 é premiado pela Crítica no Festival de Rotterdam com o filme Le buttane (1994), uma história adaptada de seu próprio livro. Em 1998 Grimaldi desvenda o erotismo dirigindo filmes inusitados frente a sua trajetória até então em Il macellaio, o papel de Alba Parietti no filme transforma-a em sex simbol italiano vindo a aparecer exaustivamente na TV italiana daquela década; em seguida dirige La donna lupo (1999), filme que é visto por alguns como além de erótico, e para outros até como um pornô; e por fim o pouco expressivo L'educazione sentimentale di Eugénie de 2005, lançando desta vez a jovem atriz Sara Sartini com muita sensualidade e erotismo. Em 2003 Grimaldi aponta sua câmera para o tema amor, dessa vez comungando a mensagem através da biografia de seu ídolo bolonhês Pasolini em Un mondo d'amore sobre a história da vida do professor e cineasta de Bolonha Pier Paolo Pasolini antes de sua consagração como cineasta. Além dos filmes Aurelio Grimaldi tem publicado também livros: Nfernu veru (1985), Storia di Enza (1991), Palermo che muore Palermo che nasce (1994) e I Violanti (1995).

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com

Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.



sexta-feira, 26 de outubro de 2018

O minimalismo de Amelio e sua especial predileção pelo gênero semidocumentário são o seu estilo


Giovanna Mezzogiorno  e Gianni Amelio no set de La tenerezza (2017)
Gianni Amelio nasce em San Magisano, Catanzaro, Itália em 20 de janeiro de 1944. Roteirista e diretor cinematográfico. Quando criança seus país migram para a Argentina, onde permanece até sua adolescência. De volta à Itália estuda Filosofia e ao concluir inclina-se para a arte cinematográfica, consegue trabalho na revista Giovane Critica como crítico cinematográfico. A trajetória de Amelio num set cinematográfico se expande em meio a cineastas ideológicos e que operam muito bem a técnica e a semântica da linguagem cinematográfica, cineastas que fazem da câmera verdadeiros veículos de expressão revolucionária. Torna-se ajudante de direção de Bertolucci e Questi; assistente de direção para Cavani, Ugo e para o autoral De Seta em Un uomo a metà (1966), por fim como operador de câmera para Puccini. Amélio mostra especial interesse pelo neorrealismo e por histórias, cujo núcleo está na relação pai e filho. Para Amelio a figura da criança, em especial àquela oriunda do sul da Itália é presente em diversos de seus filmes. Ugo Gregoretti abre para ele o mundo da TV, veículo com o qual viverá momentos de alegria e desalento, refugiando-se nela por bastante tempo, e é com a RAI que Amelio consegue aquilo que os produtores privados não lhe dão: dinheiro para realizar seus projetos cinematográficos. Na TV faz sucesso o seu filme Piccolo Archimede (1979) onde Amelio encontra o equilíbrio entre seu desejo de expressão autoral com uma narrativa coerente com o meio televisivo, algo inovador e arriscado para a lógica televisiva. Seus filmes não buscam particularmente o público, são na verdade experiências que o levam a fazer questionamentos e comparar o veículo TV àquele cinematográfico. Abre a década de 70 surpreendendo a todos com o filme La città del sole (1973), filme produzido pela RAI para a TV, com o qual Amelio vence o Gran prêmio no Festival de Thonon. Aos 38 anos Amelio realiza seu primeiro trabalho exclusivo para o cinema dirigindo Colpire il Curore , apresentado na Mostra cinematográfica de Veneza. O filme é caracterizado como forte e maduro por abordar o difícil tema do terrorismo. Amelio concentra e dá ênfase exclusiva à relação humana entre pai e filho em detrimento aquela política oriunda de atos terroristas. E em 1990, com Porte aperte, tendo no elenco Gian Maria Volontè no papel principal, Amelio é indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro ampliando a visibilidade ao seu trabalho fora da Itália. Em 1992 é nomeado membro do Júri na 49ª edição da Mostra de cinema de Veneza, e em 1995 também no Festival di Cannes. Em 1998 com com Così ridevano, um filme muito autoral vence o Leão de Ouro em Veneza. O minimalismo de Amelio e sua especial predileção pelo gênero semidocumentário além do gosto pelos temas de conflitos de gerações tornam-se uma marca registrada de seu estilo. E em meio a um cinema mais banalizado do que nunca, os filmes de Amelio são um elogio a sétima arte. Com La tenerezza (2017) nos sentimos transportados para um cinema de essência, a atmosfera criada a partir do romance de Lorenzo Maraone: La tentazione di essere Felice, e a surpreendente fotografia de Luca Bigazzi, remetem-nos aos melhores anos da cinematografia italiana, o Olimpo cinematográfico que Gianni Amelio sempre perseguiu, até nos seus mais claustrofóbicos anos na televisão.

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com

Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

A cinegrafia de Francesco Amato, uma mistura da sátira italiana com o humor norte americano



Francesco Amato nasce em Turim, Lombardia, Itália em 1978. Editor, roteirista e diretor cinematográfico. Amato começa como a maioria dos cineastas italianos fazendo documentários e curtas, mas talvez seu feito mais inspirador é o que ele faz com Ma che ci faccio qui! (2006), seu trabalho de conclusão de curso no Centro Sperimentale di Cinematografia - CSC. Considerado um filme inovador, torna-se o primeiro longa-metragem produzido dentro do CSC. Coproduzido pela RAI CINEMA recebe 35 cópias contemporaneamente distribuídas pelo Instituto Luce e exibido não só nos cinemas da Itália como em outros 20 países vencendo prêmios em São Francisco, E.U.A e Annecy, França. No ano seguinte a esse grande feito como estudante, Amato vence uma bolsa de estudos no Estúdio New York Film Academy para o curso de direção cinematográfica. Com o filme “Lasciati andare” (2017), realizado dez anos depois de retornar dos E.U.A, Amato dá vida a uma comédia ao estilo hollywoodiano, recitada no dia a dia de uma família que vive no gueto romano. O filme possui ingredientes das clássicas comédias norte americanas dos anos 50 que celebraram Grant, Hepburn e Tracy. Deixando de lado o desejo de encontrar características de identidade italiana nas personagens de Lasciati andare, ver o grandioso Tony Servillo num papel cômico é delicioso, sua simpatia transcende a personagem de Elia Venezia, ao encarnar um psicanalista materialista, culto, intelectual que envelheceu, mas não está preparado para esse momento. Amato acompanha os passos desse estereotipado judeu que para se recompor fisicamente se envolve com a personal trainer espanhola Claudia (Veronica Echequi), pouco inteligente, jovem, espirituosa e de corpo escultural. Ao observar mais atentamente a ainda pequena cinematografia de Amato o que nos damos conta é de estarmos diante um cineasta de talento, conhecedor da técnica e com muito respeito à interpretação dos atores. Diante a globalização e a sua influência na identidade dos sujeitos pós-modernos, de repente não contextualizar as histórias no éthos italiano pode ser justificado, mas deixa no ar uma sensação de inverossímil se tentamos encaixá-la no contexto italiano. Amato é um cineasta das palavras, antes de qualquer coisa um bom narrador, talvez por isso sua habilidade em contar histórias universais é o forte de seu estilo. E a história, entendida aqui como aquela tipicamente italiana, acaba quase sempre por impor resistência ao que é de outra cultura nas obras de Amato, tornando efêmera no contexto da realidade de seu tempo e do lugar que retrata.

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Enrico Oldoini o cineasta arrependido

Casting de 13dici a tavola de Enrico Oldoini


Enrico Oldoini nasce em 4 de maio de 1946, em La Spezia, Itália. Ator, roteirista, diretor cinematográfico. Oldoini Inicia no cinema pelas mãos de Bernardino Zapponi escrevendo para Pasquale Festa Campanile, Paolo Cavara, Marco Ferreri, Alberto Lattuada, Nanni Loy, Maurizio Ponzi, Dino Risi, Carlo Verdone, Lina Wertmüller dentre outros. Seus filmes têm na narração seu ponto de força, muitas vezes é a história contada em 3ª pessoa a protagonista no lugar dos atores e atrizes. Essa sua maneira de valorizar o texto consegue no decurso do tempo fazer rendosas parcerias com astros como Adriano Celentano, Renato Pozzetto, Alberto Sordi, Ornella Muti e roteiristas como Franco Ferrini, Francesco Nuti e até produtores como Di Laurentiis. Em 1982 Oldoini escreve a quatro mãos com Carlo Verdone a história e o roteiro de Borotalco (1982), durante essa convivência Verdone consegue fazer Oldoini acreditar ser possível dirigir filmes e assim em 1984 Oldoini faz seu debute como diretor cinematográfico. O filme se chama Cuori nella tormenta (1984), e o protagonista dessa sua primeira experiência na direção é o próprio Carlo Verdone. Com os anos Oldoini se mostra um cineasta que não temeroso, o motivo pode ser a máquina de produção cinematográfica que pouco permite ousar, ou talvez se não lhe fosse dado tantos filmes de fundo puramente comercial teríamos conhecido melhor o seu estilo, a sua sensibilidade. Uma vez sobre isso ele desabafou: “Se você quiser você pode me chamar de 'diretor acidental ou cineasta por acidente, mas devo mencionar que eu nasci um escritor, e em 20 anos eu também assinei Borotalco, Io Chiara e lo scuro, Una botta di vita. A verdade é que De Laurentiis me pedia para fazer sempre o mesmo filme, escrito sob medida para o mesmo comediante.” - la Repubblica – 12 de fevereiro de 1995 - título: OLDOINI REGISTA PENTITO, Leandro Palestrini. Trad. Autor. Em 1994 rompe definitivamente com De Laurentiis e pôde a partir dai realizar o seu primeiro filme autoral: Miracolo italiano, entretanto, o filme mostra-se um fracasso de público e de crítica. No ano seguinte Oldoini joga a toalha e se volta para a TV comercial onde dirige seriados e filmes, todavia, em 2004 seu desencantamento pelo cinema comercial e a consequente impossibilidade de realizar algo mais autoral encontra um momento de lenimento com 13dici a tavola, uma comédia agridoce ao estilo Morangos Silvestres de Ingmar Bergman, mas distante das encantadoras sutilezas do diretor sueco, cuja melancolia vem disfarçada pelas recordações da juventude vividas em família, repleta de flashbacks onde Giulio (Giancarlo Giannini) reencontra avós, pais, tias, irmãos e primos.

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com

Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.