sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Claudio Cupellini - fimes são protótipos onde o sucesso resulta dos diversos níveis de leitura

Claudio Cupellini
Claudio Cupellini nasce em 18 de fevereiro de 1973 em Camposampiero, Veneto, Itália. Roteirista e diretor cinematográfico. É um cineasta pertencente a uma nova geração de artistas italianos, formado pelo “CSC - Centro Sperimentale di Cinamatografia”, sua estreia na direção deu-se com o curta metragem Le diable au velo e em 2007 dirige seu primeiro longa intitulado Lezioni di cioccolato. Os filmes para Claudio Cupellini são protótipos onde o sucesso resulta dos diversos níveis de leitura que possuem, além da força e da originalidade do roteiro que lhes precede. O grande ator italiano Toni Servillo recebeu no “Festival Internazionale del Film di Roma”, o Prêmio “Marc'Aurelio d'Argento” de Melhor Ator atuando no seu filme “Una Vita Tranquilla” (2010).

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com
Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Giulio Paradisi, o cineasta que cunhou o termo Paparazzi como fotógrafo de celebridades


La dolce Vita de Fellini


Giulio Paradisi nasce em Roma, Lazio, Itália em 21 de março de 1934. Ator, roteirista e diretor cinematográfico. Estuda no Centro Sperimentale di Cinematografia de Roma diplomando-se como ator. Inicialmente trabalha em dois filmes de Federico Fellini em La dolce vita (1960), no papel de um fotógrafo que faz free lance para Marcello Mastroianni e em “8½ (1963), como um amigo de Mastroianni. Com Fellini, Paradisi dá vida a um personagem cujo sobrenome no filme La dolce vita torna-se um substantivo que define um tipo particular de fotógrafo jornalista que persegue celebridades para fotografá-las para tablóides populares, o incomodo Paparazzi. Paradisi também trabalha como assistente de direção de Fellini, oficio que fará ainda para Luigi Comencini antes de migrar para a profissão de diretor. Debuta na direção com o filme Terzo canale – Avventura a Montecarlo (1970), tornando-se conhecido por seus dois melhores filmes Ragazzo di Borgata (1976) e Spaghetti House (1982), com Nino Manfredi, Leo Gullotta. Em 1983 aceita um convite do amigo Ermano Olmi para voltar a atuar em seu filme Cammina cammina no papel de Astioge.

Luiz Chiozzotto 
chiozzottoit@gmail.com 
Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Peter Marcias, um cineasta comprometido com a existência humana

Peter Marcias
Peter Marcias nasce em 5 de dezembro de 1977, em Oristano, Sardenha, Itália. Roteirista, produtor e diretor. Ao sentirmos a referência Cinema sardo, a primeira coisa que nos vem em mente são cabras pastando em montanhas e no horizonte o mar e a segunda o nome do diretor De Setta, um dos maiores cineastas italianos de todos os tempos, todavia, em 1977 nasce um novo pupilo no Cinema dessa ilha italiana, Peter Marcias. Não obstante o referencial que construímos sobre a Sardenha, este diretor da jovem guarda italiana atravessa as fronteiras de sua ilha e penetra fundo em nossos corações, abordando com profundidade, emoção e comiseração temas universais. Marcias diploma-se em Cinematografia na Scuola Superiore di Cinema di Barbarano Romano em Viterbo, Itália, dirige diversos significativos curtas-metragens e documentários como La recita (2000); Il regalo (2001); L'alba (2002) e Il canto delle cicale (2004), e os documentários Ritorno a Serra valle (2003); Antonio Romagnino (2005); Io sono um citadino (2006); Mala Spagna non era cattolica? (2007) e Liliana Cavani - Una donna nel cinema (2010). Esses filmes foram verdadeiros experimentos e misturam realidade e ficção que construíram o imagético deste cineasta contemporâneo. Em 2006 em um filme coletivo chamado Bambini, Marcias dirige o episódio chamado Sono Alice. Em 2008 dirige sozinho o filme Un attimo sospesi, um filme comprometido com a existência humana, sobre a dificuldade do ser humano em atingir a plenitude de seu ser, sobre acertar contas com o passado. O filme é ambientado em Roma, o que lhe dá uma áurea genuína em função de toda história conservada em suas ruinas e sobretudo pelo encontro de diversas raças que coabitam a cidade eterna por séculos.


Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com
Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Francesco Nuti o rosto italiano mais popular dos anos 80


Francesco Nuti -  foto Studio Vezzoli
Francesco Nuti nasce em 17 de maio de 1955, em Prato, Toscana, Itália. Ator, roteirista, diretor cinematográfico. Sua carreira no cinema tem início no preâmbulo dos anos 80’, ao participar como ator no filme Ad ovest di Paperino (1982), de Alessandro Benvenuti, no mesmo ano alia-se a Maurzio Ponti participando como ator em três filmes: Madonna che silenzio c'è stasera (1982), cujo roteiro também é escrito por Nuti. O filme é um sucesso na década de 80’ e garante-lhe a participação, sempre como ator, em Io, Chiara e lo Scuro (1983), e em Son contento (1983), ambos de Maurzio Ponti. Seu rosto encanta na tela e seus filmes tornam-se sucesso de público rapidamente. Sua popularidade, aliada ao seu talento artístico o faz sentar-se sobre a cadeira de diretor em Casablanca, Casablanca (1985), todavia o filme não agrada tanto como o que fará a seguir. Tutta colpa del paradiso também de 1985 tem um roteiro escrito junto com Vincenzo Cerami e Giovanni Veronesi e é a confirmação de que Nuti é um excelente diretor. Francesco Nuti fecha os anos 80 em uma escalada de sucesso que o leva sempre ao alto tornando-se uma das personalidades que mais influenciaram a sociedade italiana na década. Nos anos 90’ seus projetos não conseguem repetir os sucessos da década anterior e em 2006 sofre um acidente em sua casa e fratura o crânio vindo a ficar em coma e posteriormente bastante debilitado de suas habilidades profissionais, criativas e, sobretudo físicas.

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com

Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Felice Farina, o cineasta que conceituou a luta de classes no cinema

Felice Farina

Felice Farina nasce em Roma em 14 de agosto de 1954. Produtor, roteirista e diretor cinematográfico. Um apaixonado da sétima arte, um artista da experimentação. Na sua biografia já aos nove anos de idade exercita suas primeiras experiências com uma câmera super 8 e usando seu irmão mais novo como ator. Para muitos um cineasta de vanguarda. Aproxima-se do cinema através de Carlo Ventimiglia, um diretor de fotografia italiano, operador de câmera que trabalhava com efeitos especiais para o cinema com muita competência e improvisação. Com Ventimiglia, Farina desenvolve sua capacidade de inovar e, sobretudo, experimentar novos caminhos para expressar sua linguagem através do cinema. Farina estreia como diretor com o filme “Sembra morto... ma è solo svenuto” – Parece morto... mas só está desmaiado (1986), com Sergio Castellitto como ator. Na trajetória de sua cinematografia é interessante observar que a cada filme realizado há um crescimento, seja a nível técnico que intelectual. Com seu filme “Pátria” (2004) ele desenvolve uma trama psicológica muito interessante, incluindo imagens de arquivo de lutas de classe, com intersecções com problemas atuais da Itália. Sua narrativa é mais uma vez inovadora ao interligar fatos reais de arquivo a imagens geradas por ele mesmo. Através de um retorno no tempo sobre questões sociais, políticas e econômicas da história dos trabalhadores italianos Farina ao mesmo tempo fala sobre o poder da amizade entre pessoas de pensamentos e convicções diversas.

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com
Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Sergio Martino, o cineasta que inovou e revolucionou os custos de filmes de horror


Sergio Martino na capa de seu livro autobiografia
Sergio Martino nasce em Roma em 19 de julho de 1938. Roteirista, produtor e diretor cinematográfico. Martino pertence a uma família de cineastas, é neto do diretor Gennaro Righelli quem na infância o levava ainda de calças curtas ao cinema; é irmão do produtor Luciano Martino e cunhado da atriz Edwige Fenech. Sergio Martino corresponde a um contingente de cineastas italianos que realiza cinema de gênero visando suprir um mercado externo profícuo e composto de telespectadores apreciadores de horror, thriller e ficção científica, particularmente com aquele estilo italiano. Já aos produtores e compradores de filmes para exibirem em cinemas no exterior seu trabalho é interessante. Do ponto de vista econômico eles são inovadores ao convergirem técnicas artesanais a um alto grau de verossimilhança, conseguindo obter excelentes resultados seja estético que de bilheteria. Martino consegue isso mesmo trabalhando com baixíssimo orçamento. Esse mercado foi bastante promissor durante os anos 1970 em decorrência da situação tensa vivida pelo mundo, constantemente sob o pavor de uma catástrofe nuclear oriunda da guerra fria. Considerando aquele contexto mundial, esse gênero gozava de certa correspondência ao que se vivia no dia a dia daqueles anos. Martino fomentou esse mercado manipulando criativamente técnicas de enquadramento, movimento de câmera e montagem impondo um ritmo que revoluciona o cinema levando-o a um alto grau de qualidade. Martino fazia muito bem isso numa época em que o computador não existia em nenhuma das fazes da produção de um filme. Devido ao baixo custo de produção de um filme que Martino conseguia, ele competia diretamente com as produções caríssimas de Hollywood do mesmo período. Mas se por um lado Martino consegue realizar filmes com baixo orçamento, o fato de realizar filmes de baixo orçamento o canalizaram num nicho de cineastas aos quais era dado sempre pouco para se receber bastante, impedindo-o de certa forma de explorar melhor a sua criatividade e de consequência realizar filmes melhores com maiores orçamentos. Martino realiza também filmes nos E.U.A onde influencia sobremaneira cineastas que realizavam filmes nesse gênero naquele país, tendo seus produtos (filmes) exportados para diversos países, principalmente para o mercado do Oriente.


Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com
Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.