quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Piero Vivarelli, o inventor do personagem Django no cinema italiano


Franco Nero em Django, criação de Vivarelli e filme com direção de Sergio Corbucci 

Piero Vivarelli nasce em 26 de fevereiro de 1927, em Siena, Toscana, Itália. Ator, roteirista e diretor cinematográfico. Vivarelli é um Intelectual que brinda o cinema com sua grandeza de espirito e sua genialidade criativa; circula tranquilamente pelos ambientes da política e da cultura italiana, mesmo sendo um membro ativo do partido comunista. Entretanto, a sua amizade com Fidel Castro lhe permite ser o único italiano com a honra de ser inscrito no partido Comunista Cubano, até a decepção dos anos 90’ fazê-lo abandonar o partido. Curiosamente o seu último filme é também em Cuba, sobre uma dançarina cubana, filmado na ilha e chama-se: La rumbera (1998). Seu debute na direção se dá com Sanremo - La grande sfida (1960), um filme dentro de um seguimento popular denominado "Musicarello", um subgênero italiano que consiste em fazer filmes para divulgar cantores, suas músicas; seu primeiro filme nesse gênero é uma comédia musical ambientada no famoso festival de música que acontece em Sanremo. O evento e o seu 1º filme tiveram outras conotações na vida de Vivarelli quando a letra das músicas 24.000 baci e Il tuo bacio è come un rock, de autoria de Piero Vivarelli faz enorme sucesso na voz de Adriano Celentano. Um episódio interessante a respeito da música 24.000 baci (1961), grande vencedora de Sanremo, escrita em coautoria com Lucio Fulci, é que Adriano Celentano não podia cantá-la no festival uma vez que prestava serviço militar à época, Vivarelli então consegue com que o Ministro da Defesa Giulio Adreotti permita mediante a observação da lei de forma inusitada. Andreotti entendeu que a lei não previa proibição para o veículo TV, uma vez que era de 1929, antes de a TV ter sido transformada em diversão de massa. Sempre envolvido com a música e seus autores, Vivarelli dirige outros filmes cujo tema de fundo era a música e os protagonistas, quase sempre cantores e cantoras de sucesso do período, dentre eles Io bacio... tu baci (1961), com Mina; Rita, La figlia americana (1965), com Rita Pavone e Totò. Como roteirista deu vida a Django (1966), dirigido por Sergio Corbucci, filme que tem uma nova versão intitulada Django Livre (2012), dirigida por Quentin Tarantino, um forte admirador de Vivarelli. Piero Vivarelli morre em 7 de setembro de 2010 em Roma, Itália.

Luiz Chiozzotto chiozzottoit@gmail.com Texto ensaio do livro
de Luiz Chiozzotto.

domingo, 4 de novembro de 2018

Paolo Bianchini o cineasta Embaixador das crianças pobres da Unicef

Paolo Bianchini no set de Sole dentro
Paolo Bianchini nasce em Roma, Itália 1931. Assistente de direção, roteirista e diretor cinematográfico. No período compreendido entre os anos de 1953 a 1964, antes de abraçar a direção cinematográfica, Bianchini foi assistente de inúmeros grandes diretores italianos, dentre eles Vittorio De Sica, Luigi Comencini, Sergio Leone, Mario Monicelli. Sua verve humanitária o levou a estrear na direção explorando um tema que durante décadas foi celeuma no mundo ocidental: os erros da guerra, assim em 1964 lança seu longa-metragem Sette contro la morte, com Rosanna Schiaffino e Nino Castelnuovo - embora algumas fontes apontem Edgar G. Ulmer como diretor e Paolo Bianchini como assistente, entretanto é em função de exigências dos produtores que seu nome é preterido nos créditos. Entre o final dos anos 60 e a década de 70 dirigiu muitos filmes no gênero western, muito bem feitos, mas com um elenco sem estrelas, dentre eles Dio li crea... Io li ammazzo! - Deus os Cria, Eu os Mato (1968), cujo roteiro é de Fernando Di Leo. Paolo Bianchini também está entre os diretores que participaram da captação de imagens do documentário L'addio a Enrico Berlinguer (1984). A partir dos anos 90 dirigiu vários filmes para TV italiana, dentre eles um destaque para La grande Quércia (1997), onde o tema mais uma vez tem como pano de fundo a guerra, um filme pouco conhecido, elogiado pela crítica e que fora visto por um público mais frequentador de circuitos culturais. Em 2002 é empossado Embaixador da Unicef pelos seus esforços para a resolução das questões envolvendo crianças pobres, tema que inclusive ele explora no seu filme Il sole dentro (2012), com Angela Finocchiaro, Diego Bianchi, Giobbe Covatta.

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com

Texto ensaio do livro de Luiz Chiozzotto.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

O Cinema de Martinelli é contundente e provocador nas questões de impunidade



Cena de Ustica: The Missing Paper
Renzo Martinelli
Renzo Martinelli nasce em 1948, em Cesano Maderno, Lombardia, Itália. Roteirista, produtor e diretor cinematográfico. Antes de começar a dirigir filmes estuda Literatura estrangeira e Ciências Políticas, aos poucos vai adentrando no mundo da imagem, primeiramente produzindo e dirigindo filmes publicitários, vídeo clips e documentários entre as décadas de 70’ e 80’, até finalmente em 1993 dirigir “Sarahsarà”, um filme sobre a vida de uma nadadora sul africana que em consequência de um acidente fica com defeitos físicos e mesmo com toda dificuldade realiza sonhos e consegue vitórias no mundo líquido. O Cinema de Martinelli é antes de tudo contundente, provocador; as vezes irascível ao apontar questões de impunidade não resolvidas na história. Em Sarahsarà Martinelli fala abertamente sobre racismo; no filme seguinte “Porzûs” (1997), sobre os comunistas italianos que durante a guerra fria assassinaram cruelmente partigianos (partidários) e ficaram impenitência. Com “Vajont - La diga deldisonore” (2001), ressuscita a história verídica de um trágico deslizamento de terra decorrente de uma represa que fora construída mal e não suportou os 50 milhões de metros cúbicos de água matando 2000 pessoas em 1963. Em 2003 profetizou os horrores dos atentados do Fundamentalismo Islâmico com Il mercante di pietre. Por fim em 2015 dirige “Ustica: The Missing Paper”, que conta a história de um avião DC9 que caiu entre as ilhas de Ponza e Ustica em 1980, e teve divergências entre o que de fato aconteceu e o que foi dito que teria acontecido neste trágico acidente aéreo. Os temas de seus filmes abrangem o sofrimento decorrente da ausência de punição, encontrando a motivação de seus projetos em infortúnios que podem acontecer em qualquer lugar e com qualquer um.

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com

Texto ensaio do livro de Luiz Chiozzotto.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Di Robilant e seus personagens alienados pela cultura oral e visual


Cartaz de Mauro C’há da fare de Di Robilant
Alessandro Di Robilant nasce em 23 de outubro de 1953 em Pully, Suíça. Ator, roteirista e diretor cinematográfico. Di Robilant é ítalo-suíço; provém da experiência de filmes publicitários e fez diversos curtas-metragens antes de ingressar em longas-metragens. Foi assistente de importantes diretores como Lattuada, Comencini, Monicelli. Estudou na London Film School, graduando-se como diretor de cinema e faz sua estreia com o longa-metragem Anche lei fumava il sigaro... (1985). O filme conta a história de amor entre uma prostituta e um roqueiro; agrada a crítica, mas passa desapercebido pelo público. A partir de Il giudice ragazzino (1994), Di Robilant passa a seguir um percurso cinematográfico que reverencia a denúncia social. Escreve o roteiro junto de Ugo Pirro; o gênio do cinema político; roteirista de Indagine su un cittadino al di sopra di ogni sospetto (1970). Il giudice ragazzino faz sucesso junto ao público italiano e é bem visto também pela crítica. No geral a obra cinematográfica de Di Robilant é marcada por personagens que ao buscarem afirmação como sujeitos sociais, acabam por se tornar perdidos em estereótipos imaginados a partir do que veem nas imagens de videoclipes, programas de TV e nos heróis de histórias em quadrinhos. Os seus tipos sociais representados são conformistas, desinteressados por questões políticas, e vão de violentos e estúpidos a alienados televisivos; leem pouco e baseiam sua realidade na imagem da subcultura pop norte americana. Em 2015 Di Robilant dirige “Mauro C’há da fare”, onde aborda um tema cada dia mais presente no dia a dia dos jovens recém-formados em cursos de graduação: bater de frente com uma sociedade sem trabalho. Mauro (Carlo Ferreri), por não ter nada para fazer, acaba tendo muito tempo para reflexões existenciais e assim, descobrindo-se num mundo de incompetentes que, ao contrário dele, trabalham. Vivendo em uma família burguesa que descobriu tarde que diplomas não servem a quase nada hoje em dia, Mauro acaba por se envolver em situações típicas de um desocupado intelectualizado e chato, que no lugar de melhorar o mundo, ataca-o.

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com

Texto ensaio do livro de Luiz Chiozzotto.