domingo, 10 de março de 2019

Alfredo Angeli, roteirista e diretor cinematográfico de Livorno

Alfredo Angeli nasce em 7 de agosto de 1927, em Livorno, Toscana. Itália. Assistente de direção, roteirista, diretor cinematográfico. Sua carreira como diretor inicia nos primeiros anos de 1960 e somam mais de três mil filmes publicitários realizados, tornando-se um dos mais preparados profissionais da área, premiado em várias resenhas nacionais e internacionais.  Estreia no cinema com vinte e cinco anos trabalhando como assistente de Luigi Zampa em “Processo Allá città”. Sua vivencia com filmes publicitários e sua experiência adquirida como assistente de direção de Cottafavi, Mastrocinque e Petrucci o preparam para dirigir seu primeiro longa-metragem “La notte pazza Del comigliaccio” (1967), com Sandra Milo e Enrico Maria Salerno, uma comédia que faz uma crítica feroz aos costumes dos anos sessenta e selecionada para o 17º Festival Internacional de Cinema de Berlim. Após esse filme Angeli desaparece das telas de Cinema dedicando-se exclusivamente a vídeos comerciais e documentários. Entre as joias realizadas por Angeli está um filme curta-metragem em vídeo sobre os líderes do socialismo europeu deste século: Tony Blair, Lionel Jospin e Gerard Schoeder, cenas montadas por Angeli recordam a vida deles durante seus mandatos recentes, um retrato da vida em família e na política.  No cinema comercial Angeli reaparece em 1997 com o filme “Con rabbia e con amore” (1997), não obstante a longa espera pelo seu retorno, o filme parece não ser a altura de seus trabalhos anteriores e sela sua carreira no cinema. Alfredo Angeli morre em Roma em 25 de novembro de 2005.

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com

Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.

sexta-feira, 8 de março de 2019

Giulio Base, um pupilo de Vittorio Gassman, uma trajetória de sucesso no cinema


Giulio Base nasce em Turim em 1964, estuda teologia no Instituto Augustinianum na cidade do Vaticano e história do Cinema na Faculdade de Letras e Filosofia da Universidade La Sapienza, em Roma. Seu pai tinha na cidade de Turim um negócio de venda de pipocas no cinema quando Giulio era criança, ponto de partida de sua órbita entorno ao mundo cinematográfico.  Mas foi com Vittorio Gasmann que ele acreditou ser realmente possível ir além do negocio de pipocas de seu pai. O grande ator Gasmann foi o seu mestre ao abrir-lhe novos horizontes na arte da dramaturgia. E na cidade toscana de Florença, sob a direção de Gassman, na Bottega Teatrale di Firenze, que Base aprende o oficio de ator, interpretando na peça Misteri di San Pietroburgo. Seu caminho no cinema é marcado com prêmio já no seu primeiro filme, no San Sebastian Film Festival da Espanha em 1991, momento este em que Base se lançava na direção Cinematográfica com “Crack”, o filme é também exibido no Festival de Cinema de Veneza. O curioso que Crack também serviria de veiculo de lançamento no cinema de Maria Sole Tognazzi, que ao contrario do pai, Ugo Tognazzi, preferiu seguir atrás das câmeras sua carreira cinematográfica, ela trabalha como assistente de Base nesse filme. Em 1993 o seu mestre Gasmman se despende dos palcos e das telas, participa de seu último trabalho, no filme "La Bomba", uma comédia italoamericana filmada em Nova York e dessa vez Base seria o diretor de Gasmann. 



A ironia do destino coloca os dois novamente juntos, e se por um lado Gasmann esteve presente no inicio da carreira de Base, Base estaria presente no final da carreira de seu Mestre. Um ano depois, em 29 de junho de 2000, Vittorio Gasmann morreria em Roma. Depois de La bomba, Base desparece dos cinemas quase que totalmente, refugiando-se em séries de TV, dirige apenas dois longas para a tela grande, L'inchiesta com Mónica Cruz - sósia de Penelope Cruz - Max von Sydow e Onela Mutti no elenco e “Postcards from Rome” (2008).

Giulio Base e Vittorio Gassman
 Base retorna às telas de cinema em 2014 com “Il pretore”. Em 2018 atua e dirige em “Il banchiere anarchico”, baseado na obra homônima do poeta português Fernando Pessoa. É a história de um banqueiro, interpretado pelo próprio Base, que se depara em um momento de sua vida, na obrigação de revelar que foi um anárquico e sobretudo é ainda anárquico, mesmo na condução de seus negócios em seu banco, à revelia de governos e leis que fizeram parte de sua trajetória de sucesso como empreendedor no mundo do capital.

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com

Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.

sábado, 2 de março de 2019

Enzo barboni o diretor que leva comicidade ao gênero western spaghetti


Quando o gênero western parecia estar morto e enterrado em uma cova rasa nos quintais de Hollywood, Leone e Corbucci, enquanto filmavam juntos no deserto de Almeria Espanha cenas do épico Pompeia, têm juntos a ideia de revisitar o gênero e criam o western spaguetti. Mas é Enzo barboni quem sem querer, inova ao introduzir elementos de comicidade ao gênero western spaghetti. Enzo Barboni nasce em 10 de julho de 1922, em Roma, Itália, roteirista, diretor de fotografia e diretor cinematográfico. Aos vinte anos durante a II Guerra trabalha como correspondente de guerra para o Instituto Luce no fronte russo-alemão. Nos anos 50’trabalha como operador de câmera para Sergio Corbucci e outros diretores, assinando algumas vezes também a fotografia em alguns filmes. 

Furgãozinho do Instituto Luce - Cinecittà. 

“Chuck Mull, O Homem da Vingança”, filme de 1970, foi o seu trabalho de estreia na direção, contudo, preferiu usar um pseudônimo: E.B.Clucher, ao seu nome verdadeiro. Embora tenha sido um bom filme, foi uma estreia sem alardes, passando desapercebida, um prenuncio para seu filme mais conhecido, que viria a ser nesse mesmo ano e chamar-se-ia "Lo chiamavano Trinità" - Chamam-me Trinity (1970), um grande sucesso do western spaghetti com a dupla Terence Hill e Bud Spencer nos papeis principais. 
Bud Spencer, Terence Hill e Thomas Rudy em Lo chiamavano Trinità... (1970)

Sobre “Lo chiamavano Trinità”, Enzo Barboni pretendia fazer um brilhante western e não uma comédia como se tornou o filme após a montagem, tudo somado a comicidade da dupla Spencer e Hill, o estilo despojado e as gags cativam um imenso público na Itália e em todo o mundo. Sobre esse filme é lembrar a cena bufa em que Terence Hill devora em segundos um prato de comida, para fazer a cena Hill estaria um dia inteiro desjejum. 

Terence Hill no papel de Trinità

Outros filmes com a dupla são realizados e acompanhados de abundante bilheteria e público, tendo Barboni criado um subgênero de muito sucesso dentro do western que lembra a dupla “Stan Laurel e Oliver Hardy” e as encenações de Vaudeville, gênero que foi continuado por outros diretores italianos e inclusive pelos americanos, como é o caso de “Blazing Saddles” – Banze do Oeste (1974), de Mel Brooks que também acrescenta comicidade ao western. Outros memoráveis momentos da dupla Terence Hill e Bud Spencer dirigidos por Enzo Barboni encontram-se nos filmes "Non c'è due senza quattro" - Eu, Você, Ele e os Outros, "Nati con la camicia" - Dois Loucos com Sorte e "Continuavano a chiamarlo Trinità" -Trinity Ainda é Meu Nome. Enzo Barboni morre em 23 de março de 2002 em Roma.

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com

Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.