sexta-feira, 8 de março de 2019

Giulio Base, um pupilo de Vittorio Gassman, uma trajetória de sucesso no cinema


Giulio Base nasce em Turim em 1964, estuda teologia no Instituto Augustinianum na cidade do Vaticano e história do Cinema na Faculdade de Letras e Filosofia da Universidade La Sapienza, em Roma. Seu pai tinha na cidade de Turim um negócio de venda de pipocas no cinema quando Giulio era criança, ponto de partida de sua órbita entorno ao mundo cinematográfico.  Mas foi com Vittorio Gasmann que ele acreditou ser realmente possível ir além do negocio de pipocas de seu pai. O grande ator Gasmann foi o seu mestre ao abrir-lhe novos horizontes na arte da dramaturgia. E na cidade toscana de Florença, sob a direção de Gassman, na Bottega Teatrale di Firenze, que Base aprende o oficio de ator, interpretando na peça Misteri di San Pietroburgo. Seu caminho no cinema é marcado com prêmio já no seu primeiro filme, no San Sebastian Film Festival da Espanha em 1991, momento este em que Base se lançava na direção Cinematográfica com “Crack”, o filme é também exibido no Festival de Cinema de Veneza. O curioso que Crack também serviria de veiculo de lançamento no cinema de Maria Sole Tognazzi, que ao contrario do pai, Ugo Tognazzi, preferiu seguir atrás das câmeras sua carreira cinematográfica, ela trabalha como assistente de Base nesse filme. Em 1993 o seu mestre Gasmman se despende dos palcos e das telas, participa de seu último trabalho, no filme "La Bomba", uma comédia italoamericana filmada em Nova York e dessa vez Base seria o diretor de Gasmann. 



A ironia do destino coloca os dois novamente juntos, e se por um lado Gasmann esteve presente no inicio da carreira de Base, Base estaria presente no final da carreira de seu Mestre. Um ano depois, em 29 de junho de 2000, Vittorio Gasmann morreria em Roma. Depois de La bomba, Base desparece dos cinemas quase que totalmente, refugiando-se em séries de TV, dirige apenas dois longas para a tela grande, L'inchiesta com Mónica Cruz - sósia de Penelope Cruz - Max von Sydow e Onela Mutti no elenco e “Postcards from Rome” (2008).

Giulio Base e Vittorio Gassman
 Base retorna às telas de cinema em 2014 com “Il pretore”. Em 2018 atua e dirige em “Il banchiere anarchico”, baseado na obra homônima do poeta português Fernando Pessoa. É a história de um banqueiro, interpretado pelo próprio Base, que se depara em um momento de sua vida, na obrigação de revelar que foi um anárquico e sobretudo é ainda anárquico, mesmo na condução de seus negócios em seu banco, à revelia de governos e leis que fizeram parte de sua trajetória de sucesso como empreendedor no mundo do capital.

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com

Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.

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