quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Di Robilant e seus personagens alienados pela cultura oral e visual


Cartaz de Mauro C’há da fare de Di Robilant
Alessandro Di Robilant nasce em 23 de outubro de 1953 em Pully, Suíça. Ator, roteirista e diretor cinematográfico. Di Robilant é ítalo-suíço; provém da experiência de filmes publicitários e fez diversos curtas-metragens antes de ingressar em longas-metragens. Foi assistente de importantes diretores como Lattuada, Comencini, Monicelli. Estudou na London Film School, graduando-se como diretor de cinema e faz sua estreia com o longa-metragem Anche lei fumava il sigaro... (1985). O filme conta a história de amor entre uma prostituta e um roqueiro; agrada a crítica, mas passa desapercebido pelo público. A partir de Il giudice ragazzino (1994), Di Robilant passa a seguir um percurso cinematográfico que reverencia a denúncia social. Escreve o roteiro junto de Ugo Pirro; o gênio do cinema político; roteirista de Indagine su un cittadino al di sopra di ogni sospetto (1970). Il giudice ragazzino faz sucesso junto ao público italiano e é bem visto também pela crítica. No geral a obra cinematográfica de Di Robilant é marcada por personagens que ao buscarem afirmação como sujeitos sociais, acabam por se tornar perdidos em estereótipos imaginados a partir do que veem nas imagens de videoclipes, programas de TV e nos heróis de histórias em quadrinhos. Os seus tipos sociais representados são conformistas, desinteressados por questões políticas, e vão de violentos e estúpidos a alienados televisivos; leem pouco e baseiam sua realidade na imagem da subcultura pop norte americana. Em 2015 Di Robilant dirige “Mauro C’há da fare”, onde aborda um tema cada dia mais presente no dia a dia dos jovens recém-formados em cursos de graduação: bater de frente com uma sociedade sem trabalho. Mauro (Carlo Ferreri), por não ter nada para fazer, acaba tendo muito tempo para reflexões existenciais e assim, descobrindo-se num mundo de incompetentes que, ao contrário dele, trabalham. Vivendo em uma família burguesa que descobriu tarde que diplomas não servem a quase nada hoje em dia, Mauro acaba por se envolver em situações típicas de um desocupado intelectualizado e chato, que no lugar de melhorar o mundo, ataca-o.

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com

Texto ensaio do livro de Luiz Chiozzotto.

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