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| Mimmo Calopresti e Silvio Orlando no set do documentário La fabbrica dei tedeschi |
Mimmo Calopresti nasce em 4 de janeiro de 1955 em
Polistena, Calábria, Itália. Roteirista, produtor, ator
e diretor cinematográfico. Sua origem meridional e a trajetória de sua família
em direção ao norte da Itália em busca de trabalho, irão contribuir para sua
formação como diretor de cinema. Filho de um costureiro que trocou seu estúdio
para trabalhar na Fiat como operário costureiro e todas as consequências disso,
nortearão Calopresti no seu percurso artístico. O cinema é um ambiente onde uma
expressiva fração de cineastas têm origem em famílias burguesas; Calopresesti
ao contrário, é de origem no proletariado da indústria automobilística
italiana. Na década de 80, dá seus primeiros passos em direção ao mundo do
cinema, trabalhando na AAMOD – Arquivo
Audiovisivo do Movimento Operário e Democrático. Ali Calopresti
desenvolve sua veia investigativa de pesquisador, característica que o aproxima
do cinema verità. Realiza diversos documentários, tendo como fundo,
questões sociais em torno da identidade dos sujeitos no mercado de trabalho em
sociedades globalizadas; a desfragmentação dessas identidades em função de um
maior contato entre diferentes culturas num mesmo espaço de território. Por fim
a mobilidade dos sujeitos, cada vez mais em função da necessidade de encontrar
trabalho fora de seu lugar de origem. Sobre o tema do movimento do Homem
sobre territórios, em 2017 Calopresti dirige o documentário intitulado “Immondezza”.
Com sua câmera Calopresti segue o caminho dos resíduos humanos deixados pelos
seus deslocamentos. Ele percorre e filma uma área de 350 km, do Monte Etna até
o Vesúvio retratando o contraste entre a beleza das paisagens e o lixo
acumulado no trajeto. Do período que Calopresti trabalhou na AAMOD, sua
obra mais conhecida é o documentário Alla Fiat era così (1990),
quando os relatos de sua família foram de suma importância para a veracidade do
documentário. Cinco anos mais tarde, Calopresti empreende a estrada da ficção,
ao fazer sua estreia na direção de um longa-metragem intitulado “La seconda
volta” (1995), uma história profundamente dramática e dura, sobre o
encontro de uma vítima da Brigada Vermelha com um ex-brigadista. O roteiro
vence o Prêmio Solinas e o filme é apresentado na Sessão Oficial do Festival
Cannes.
chiozzottoit@gmail.com
Texto ensaio do novo livro de Luiz Chiozzotto.

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