sexta-feira, 26 de outubro de 2018

O minimalismo de Amelio e sua especial predileção pelo gênero semidocumentário são o seu estilo


Giovanna Mezzogiorno  e Gianni Amelio no set de La tenerezza (2017)
Gianni Amelio nasce em San Magisano, Catanzaro, Itália em 20 de janeiro de 1944. Roteirista e diretor cinematográfico. Quando criança seus país migram para a Argentina, onde permanece até sua adolescência. De volta à Itália estuda Filosofia e ao concluir inclina-se para a arte cinematográfica, consegue trabalho na revista Giovane Critica como crítico cinematográfico. A trajetória de Amelio num set cinematográfico se expande em meio a cineastas ideológicos e que operam muito bem a técnica e a semântica da linguagem cinematográfica, cineastas que fazem da câmera verdadeiros veículos de expressão revolucionária. Torna-se ajudante de direção de Bertolucci e Questi; assistente de direção para Cavani, Ugo e para o autoral De Seta em Un uomo a metà (1966), por fim como operador de câmera para Puccini. Amélio mostra especial interesse pelo neorrealismo e por histórias, cujo núcleo está na relação pai e filho. Para Amelio a figura da criança, em especial àquela oriunda do sul da Itália é presente em diversos de seus filmes. Ugo Gregoretti abre para ele o mundo da TV, veículo com o qual viverá momentos de alegria e desalento, refugiando-se nela por bastante tempo, e é com a RAI que Amelio consegue aquilo que os produtores privados não lhe dão: dinheiro para realizar seus projetos cinematográficos. Na TV faz sucesso o seu filme Piccolo Archimede (1979) onde Amelio encontra o equilíbrio entre seu desejo de expressão autoral com uma narrativa coerente com o meio televisivo, algo inovador e arriscado para a lógica televisiva. Seus filmes não buscam particularmente o público, são na verdade experiências que o levam a fazer questionamentos e comparar o veículo TV àquele cinematográfico. Abre a década de 70 surpreendendo a todos com o filme La città del sole (1973), filme produzido pela RAI para a TV, com o qual Amelio vence o Gran prêmio no Festival de Thonon. Aos 38 anos Amelio realiza seu primeiro trabalho exclusivo para o cinema dirigindo Colpire il Curore , apresentado na Mostra cinematográfica de Veneza. O filme é caracterizado como forte e maduro por abordar o difícil tema do terrorismo. Amelio concentra e dá ênfase exclusiva à relação humana entre pai e filho em detrimento aquela política oriunda de atos terroristas. E em 1990, com Porte aperte, tendo no elenco Gian Maria Volontè no papel principal, Amelio é indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro ampliando a visibilidade ao seu trabalho fora da Itália. Em 1992 é nomeado membro do Júri na 49ª edição da Mostra de cinema de Veneza, e em 1995 também no Festival di Cannes. Em 1998 com com Così ridevano, um filme muito autoral vence o Leão de Ouro em Veneza. O minimalismo de Amelio e sua especial predileção pelo gênero semidocumentário além do gosto pelos temas de conflitos de gerações tornam-se uma marca registrada de seu estilo. E em meio a um cinema mais banalizado do que nunca, os filmes de Amelio são um elogio a sétima arte. Com La tenerezza (2017) nos sentimos transportados para um cinema de essência, a atmosfera criada a partir do romance de Lorenzo Maraone: La tentazione di essere Felice, e a surpreendente fotografia de Luca Bigazzi, remetem-nos aos melhores anos da cinematografia italiana, o Olimpo cinematográfico que Gianni Amelio sempre perseguiu, até nos seus mais claustrofóbicos anos na televisão.

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com

Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.

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