quinta-feira, 25 de outubro de 2018

A cinegrafia de Francesco Amato, uma mistura da sátira italiana com o humor norte americano



Francesco Amato nasce em Turim, Lombardia, Itália em 1978. Editor, roteirista e diretor cinematográfico. Amato começa como a maioria dos cineastas italianos fazendo documentários e curtas, mas talvez seu feito mais inspirador é o que ele faz com Ma che ci faccio qui! (2006), seu trabalho de conclusão de curso no Centro Sperimentale di Cinematografia - CSC. Considerado um filme inovador, torna-se o primeiro longa-metragem produzido dentro do CSC. Coproduzido pela RAI CINEMA recebe 35 cópias contemporaneamente distribuídas pelo Instituto Luce e exibido não só nos cinemas da Itália como em outros 20 países vencendo prêmios em São Francisco, E.U.A e Annecy, França. No ano seguinte a esse grande feito como estudante, Amato vence uma bolsa de estudos no Estúdio New York Film Academy para o curso de direção cinematográfica. Com o filme “Lasciati andare” (2017), realizado dez anos depois de retornar dos E.U.A, Amato dá vida a uma comédia ao estilo hollywoodiano, recitada no dia a dia de uma família que vive no gueto romano. O filme possui ingredientes das clássicas comédias norte americanas dos anos 50 que celebraram Grant, Hepburn e Tracy. Deixando de lado o desejo de encontrar características de identidade italiana nas personagens de Lasciati andare, ver o grandioso Tony Servillo num papel cômico é delicioso, sua simpatia transcende a personagem de Elia Venezia, ao encarnar um psicanalista materialista, culto, intelectual que envelheceu, mas não está preparado para esse momento. Amato acompanha os passos desse estereotipado judeu que para se recompor fisicamente se envolve com a personal trainer espanhola Claudia (Veronica Echequi), pouco inteligente, jovem, espirituosa e de corpo escultural. Ao observar mais atentamente a ainda pequena cinematografia de Amato o que nos damos conta é de estarmos diante um cineasta de talento, conhecedor da técnica e com muito respeito à interpretação dos atores. Diante a globalização e a sua influência na identidade dos sujeitos pós-modernos, de repente não contextualizar as histórias no éthos italiano pode ser justificado, mas deixa no ar uma sensação de inverossímil se tentamos encaixá-la no contexto italiano. Amato é um cineasta das palavras, antes de qualquer coisa um bom narrador, talvez por isso sua habilidade em contar histórias universais é o forte de seu estilo. E a história, entendida aqui como aquela tipicamente italiana, acaba quase sempre por impor resistência ao que é de outra cultura nas obras de Amato, tornando efêmera no contexto da realidade de seu tempo e do lugar que retrata.

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com

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