Francesco Amato
nasce em Turim, Lombardia, Itália em 1978. Editor, roteirista e diretor
cinematográfico. Amato começa como a maioria dos cineastas italianos fazendo
documentários e curtas, mas talvez seu feito mais inspirador é o que ele faz
com Ma che ci faccio qui! (2006), seu
trabalho de conclusão de curso no Centro Sperimentale di Cinematografia - CSC.
Considerado um filme inovador, torna-se o primeiro longa-metragem produzido
dentro do CSC. Coproduzido pela RAI CINEMA recebe 35 cópias contemporaneamente
distribuídas pelo Instituto Luce e
exibido não só nos cinemas da Itália como em outros 20 países vencendo prêmios
em São Francisco, E.U.A e Annecy, França. No ano seguinte a esse grande feito
como estudante, Amato vence uma bolsa de estudos no Estúdio New York Film Academy para o curso de
direção cinematográfica. Com o filme “Lasciati
andare” (2017), realizado dez
anos depois de retornar dos E.U.A, Amato dá vida a uma comédia ao estilo
hollywoodiano, recitada no dia a dia de uma família que vive no gueto romano. O
filme possui ingredientes das clássicas comédias norte americanas dos anos 50
que celebraram Grant, Hepburn e Tracy. Deixando de lado o desejo de encontrar
características de identidade italiana nas personagens de Lasciati andare, ver o grandioso Tony Servillo num papel cômico é
delicioso, sua simpatia transcende a personagem de Elia Venezia, ao encarnar um
psicanalista materialista, culto, intelectual que envelheceu, mas não está
preparado para esse momento. Amato acompanha os passos desse estereotipado
judeu que para se recompor fisicamente se envolve com a personal trainer espanhola Claudia (Veronica Echequi), pouco
inteligente, jovem, espirituosa e de corpo escultural. Ao observar mais
atentamente a ainda pequena cinematografia de Amato o que nos damos conta é de
estarmos diante um cineasta de talento, conhecedor da técnica e com muito
respeito à interpretação dos atores. Diante a globalização e a sua influência
na identidade dos sujeitos pós-modernos, de repente não contextualizar as
histórias no éthos italiano pode ser
justificado, mas deixa no ar uma sensação de inverossímil se tentamos
encaixá-la no contexto italiano. Amato é um cineasta das palavras, antes de
qualquer coisa um bom narrador, talvez por isso sua habilidade em contar
histórias universais é o forte de seu estilo. E a história, entendida aqui como
aquela tipicamente italiana, acaba quase sempre por impor resistência ao que é
de outra cultura nas obras de Amato, tornando efêmera no contexto da realidade
de seu tempo e do lugar que retrata.
Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com

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