Franco Zeffirelli nasce em 12 de fevereiro de 1923, em Firenze, Toscana, Itália sob o nome de Gian Franco Corsi. Figurinista, produtor de Óperas, diretor cinematográfico e teatral. Zeffirelli inicia na cena do cinema italiano como ator interpretando Filippo Garrone em L'onorevole Angelina (1947), de Luigi Zampa. E é pelas mãos do figurinista Umberto Tirelli que Zeffirelli conhece Luchino Visconti podendo assim iniciar a trabalhar com o que realmente gosta. Primeiramente como figurinista nos palcos do Teatro sob a direção de Visconti e concomitantemente no Cinema como seu Assistente de direção nos filmes La terra trema, Bellissima e Senso. Para muitos, Franco Zeffirelli é considerado um sucessor de Luchino Visconti. Após essa experiência Zeffirelli alterna-se na adaptação de obras de Shakespeare que seriam encenadas nos palcos de Teatro como Metropolitan, Covent Garden, la Scala, numa ponte aérea de sucesso entre Milão, Londres e Nova York. E é também com esse repertório lírico que Zeffirelli cria aquilo que será sua marca registrada no cinema quando nas décadas de 60, 80 e 90, leva com sucesso e inovação Shakespeare para as telas. São marcantes os filmes The Taming of the Shrew (1967), com Elizabeth Taylor, Richard Burton; Romeo and Juliet (1968), com Leonard Whiting, Olivia Hussey; Otello (1986), com Plácido Domingo, Katia Ricciarelli, Justino Díaz; por fim Hamlet (1990), com Mel Gibson, Glenn Close, Alan Bates. Filmes que têm por característica serem de produção norte-americana e dentro dos cânones dessa cinematografia, restando de suas origens italianas apenas a atmosfera renascentista com sua recriação minuciosa dos palácios e das vestimentas que compunham a época do Renascimento. O distanciamento de Zeffirelli do cinema italiano talvez tenha feito a crítica italiana não observá-lo como merecia o seu cinema, mas não foi sempre assim, quando Zeffirelli debuta na direção cinematográfica em 1958 com Camping com Nino Manfredi, Paolo Ferrari, Marisa Allasio, a crítica italiana chama a experiência do jovem diretor de solta e viva. Por outro lado é nesse filme que Zeffirelli começa a demonstrar seu desinteresse pelas suas origens e firmar suas intenções em americanizar-se. Depois de concluída as filmagens de Camping, Zeffirelli desaparece do set indo para os E.U.A., como recorda o próprio Nino Manfredi que se vê sozinho e com a responsabilidade de montar um filme que nem é seu. “Ao final das filmagens foram embora todos, Zeffirelli vai para Dallas, Ponti escapou para alguma outra parte, não me lembro bem por qual motivo, havia já qualquer rolo, eu fiquei sozinho para tentar montar o filme, que depois porem, fez muito dinheiro” (Nino Manfredi) (BERNARDINI, p.34) Trad. do Autor. Há ainda que se considerar que Manfredi, supondo um insucesso do filme diante o pouco interesse de Zeffirelli dá aos personagens da história traços regionais bem típicos aproveitando o melhor da interpretação de Paolo Ferrari e Leo Benvenuti. O pouco envolvimento de Zeffirelli com Camping já a época denota um desinteresse por histórias do dia a dia italiano, vindo a referenciar fora suas próximas histórias no cinema, notadamente em língua inglesa, de certa forma evitando o ethos do povo italiano. Seu cinema quase sempre coloca em foco a dificuldade dos adolescentes de viverem no mundo. Ele os retrata com muita condescendência em sua solidão, infelicidade e na impossibilidade de conquistarem a realização no amor, acabando quase sempre de maneira trágica como um eterno Romeu e Julieta. Os melhores filmes sobre essa tragédia do amor adolescente configuram-se na sua própria versão de Romeu e Julieta, onde pela primeira vez, até então, os protagonistas da história são adolescentes. Com Fratello sole, sorella luna (1972), com Graham Faulkner, Judi Bowker, Leigh Lawson o mundo que sustenta a história é aquele de adolescentes. Outra comovente história ambientada na adolescência é o desesperador, triste e comovente "Storia di una capinera" (1993), com Angela Bettis, Johnathon Schaech, Eva Alexander; onde dois adolescentes são impedidos de ficar juntos pela condição de noviça da protagonista Maria (Angela Bettis) e seus votos de fé dirigidos a Jesus Cristo – um filme tão sincero e profundo no tema que certamente fará com que qualquer pai, por mais religioso que seja, jamais deixe sua filha entrar para um convento religioso. O internacionalismo cinematográfico de Zeffirelli lhe trouxe louros e reconhecimento mundial, mas também impediu que oferecesse oportunidade a jovens italianos de ingressarem uma carreira no cinema pelo seu set, como o fez com diversos outros de nacionalidades diferentes; dentre eles Tom Cruise que debuta como ator no set de seu filme Endless Love em 1981. Em 2004 entra para a política pelo partido de centro-direita Forza Italia de Silvio Berlusconi tornando-se um Senador do governo italiano.
Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com
Texto ensaio do novo livro de Luiz Chiozzotto.

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