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| Anthony Quinn e Franco Nero em Los amigos, direção de Paolo Cavara |
Paolo Cavara nasce em 4 de julho de 1926 em Bolonha, Itália.
Diretor de fotografia, roteirista e diretor cinematográfico. Seu início no cinema
se dá como diretor de fotografia em documentários, seu talento nessa profissão
o leva a trabalhar com dois importantes diretores dos anos 50’, Franco Posperi
e Gualtiero Jacopetti, para este último Cavara empunhou a câmera e foi autor de
diversas sequências usadas nos documentários daquele diretor, porém não
creditadas por Jacopetti. Nos anos seguintes, após muitos documentários
realizados para si e para colegas ilustres, Cavara dirige seu primeiro
longa-metragem “L'occhio selvaggio” - O Olho Selvagem (1967), uma ficção
que a julgar pelo passado de Cavara mostra-se muito autobiográfico e
autocrítico, sobretudo em relação ao próprio gênero documentário que até então
vinha realizando, sobretudo, com Jacopetti. Num roteiro escrito a quatro mãos
com Ugo Pirro, L'occhio selvaggio
surpreende pela sua sinceridade sobre o meio ao qual estava inserido Cavara. Com
esse filme debute, uma espécie de redenção, Cavara revela certos expedientes um
tanto desonestos de autores que em busca do sucesso de uma boa história não são
fiéis aos fatos, que muitas vezes vazios de significados precisam de um
acontecimento inventado. Pela originalidade de sua denúncia e inovação de sua
linguagem, Cavara ganha destaque na Itália e em outros países onde o filme é
exibido.
Com L'occhio selvaggio Cavara
entra definitivamente no cinema de produção comercial logrando êxito tanto de
público como de crítica devido ao seu exótico e inovador experimentalismo. Seus
próximos filmes, embora aparentemente diversos, possuem características muito
marcantes de estilo e linguagem, sendo eles La tarantola dal ventre nero = A tarântula do ventre negro (1971)
e ...e tanta
paura = ...e tanto medo (1976), este
último um filme de vanguarda para o ano que foi feito e pouco compreendido pelo
público. Público esse ainda muito impregnado de significantes de gêneros populares
típicos do período, de produção massificada, estereotipada que preservava
hábitos e comportamentos conservadores nos espectadores. E em meio a um
contagiante gênero Spaghetti western
que nascia e lotava salas de cinema por toda a Europa, Cavara dirige seu
primeiro blockbuster, um western intitulado Los amigos - Rápidos, Brutos e Mortais (1973). No elenco estão duas
grandes estrelas, Franco Nero e Anthony Quinn, dois monstros do cinema. Cavara
seguindo os ditames de um cinema comercial o faz mais ao estilo hollywoodiano e
o filme, embora se aproveite da ciranda de sucesso do spaghetti western, mantém-se dentro dos padrões do western dos anos 40’, 50’ de Ford, Walsh
etc e sem novidades.
Com “Il lumacone”
(1974), Cavara explora o gênero comédia de costumes, mas com uma graciosa carga
de erotismo, onde a sensualidade, o frescor e a juventude de Elisa (Agostina
Belli) encantam e dificultam a aproximação do apaixonado Lumacone, o lento,
vagaroso e tímido Ginetto (Ninetto Davolli), esperto para pequenos furtos, mas
que caminha com a lentidão de um caramujo com as mulheres. Davolli é original e
gracioso ao retratar a esperteza e a bondade do homem simples italiano em seu
desejo sincero de se redimir de um passado comprometedor. O filme tem seu
roteiro escrito por Ruggero Maccari, o grande comediante do jornal satírico Marc’ Aurelio. Cavara morreu em 7 de
agosto de 1982 em Roma.
Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com
Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.



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