sábado, 26 de janeiro de 2019

Mario Bava, o gênio das sombras e da luz nos filmes de terror

Ivo Garrani e Barbara Steele em La maschera del demonio
  Mario Bava nasce em Sanremo, Itália, dia 31 de julho de 1914. Operador de câmera, diretor de fotografia, roteirista e diretor cinematográfico. Os primeiros passos de Mario Bava no cinema são dados no Instituto Luce nos anos 30’, onde é encarregado de encontrar títulos para filmes estrangeiros em língua italiana. Ainda no final dessa década estreia na direção de fotografia de dois curtas-metragens do colega Roberto Rossellini (1906 – 1977), Il tacchino prepotente e La vispa Teresa, ambos de 1939, de Rossellini. Como diretor de fotografia trabalha ainda para diversos cineastas como Riccardo Fredda, Mario Soldati, Luciano Emmer, Bruno Vailati, Steno, Raoul Walsh e Jacques Tourneur, que o consideravam genial na técnica cinematográfica de trabalhar a luz e as sombras no preto e branco. Todo esse conhecimento construído observando e experimentando resvala no custo do efeito especial dos filmes dessa época, surpreendentemente econômico se comparado a semelhantes produções alemãs e de Hollywood da mesma época. Seu pai, Eugenio Bava, é a sua primeira e grande fonte de inspiração, uma forte referência na composição estética imagética, o qual durante a infância e adolescência mirou os passos. Seu pai Eugenio desempenhara diversas funções dentro da arte criando e transformando a imagem, seja como escultor de santos para igrejas; cenógrafo da famosa produtora francesa Pathé, operador de tele câmera, diretor de fotografia; seja como diretor do departamento de maquiagem no Instituto Luce na década de 30’. Dentre os filmes que Eugenio Bava assinou a fotografia encontram-se joias do cinema mudo como Quo vadis? (1912), Cabiria (1914).  Essa influência deixada pelo pai, dessa arte de copiar a vida dando-lhe um novo significado, influenciou sobremaneira o jovem Mario Bava que adentra no mundo da imagem pelas mãos dele, podendo dizer-se até que o superou. 


  Sua estreia na direção deu-se em 1960 com o gótico filme La maschera Del demônio, um filme com uma estética visual nunca antes vista no cinema, um filme no gênero terror. Com esse clássico do terror italiano, Bava da noite para o dia torna-se objeto de culto, sendo reverenciado pela crítica francesa nas páginas do Cahiers Du cinéma e outras prestigiadas revistas do gênero. Após esse sucesso praticamente toda a década de sessenta foi sua, seus filmes marcaram a memória e fizeram a história do cinema com joias como: Ercole al centro della Terra (1961), La ragazza che sapeva troppo (1963), La frusta e il corpo (1963), I tre volti della paura (1963), Sei donne per l'assassino (1964), Operazione paura (1966) etc. Bava manipula com maestria a luz compondo verdadeiras obras de arte imortalizadas em filmes dos mais diversos gêneros, circulando seguro e tranquilo pelos gêneros mais populares como o western, policial, capa espada, fantasia, épico, erótico, thriller e horror, tudo isso sempre dentro da Itália, expressando-se, porém, com mais afeição e afinidade no gênero thriller e horror, nos quais foi pioneiro na península. Nos seus anos de glória a crítica italiana não o considerava relevante, entretanto, na distância dos anos jovens talentos de todo o mundo passam a reverenciar seus métodos de trabalho e cineastas da envergadura de Argento, Burton, Coppola, Scorsese, Dante, Corman, Landis, Tarantino, se inspiraram em suas obras.
“Era um grande do cinema, considerado não só por mim, mas em todos os países sérios, como E.U.A, Inglaterra, e a França. (...) A morte de Bava e aquela de Hitchcock nos deixaram um vazio  intransponível para quem considera o cinematógrafo fantasia, evasão da realidade e não simples reproduções de vivências cotidianas.” (Riccardo Freda) (FADINI& FOFI, 1984, p 443) Trad. do Autor.

  E se durante sua vida fora ignorado pela Crítica italiana, aquela francesa sempre o teve bem em foco, e hoje com toda a computação gráfica e efeitos especiais disponíveis, seus filmes resistiram ao tempo, servindo de fonte de inspiração para uma sempre nova geração de cinéfilos e jovens cineastas. Mario Bava morre em Roma em 26 de abril de 1980, seu filho Lamberto Bava também é Diretor.

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com

Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.

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