segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Carmine Gallone, o cineasta do mais grandioso filme da década de 30’

Carmine Gallone nasce em Taggia, Ligúria, Itália como Carmelo Camillo em 10 de setembro de 1885. Roteirista, produtor e diretor cinematográfico. Gallone dirige filmes na Itália, Alemanha, Áustria, Inglaterra, e França, neste último país René Clair era o diretor mais influente sendo possível ver traços dele nas obras de Gallone do periodo. Gallone faz também nessa mesma época vários filmes roteirizados por Henri-Georges Clouzot. A partir de 1935, retorna à Itália após um período na Alemanha em decorrência de uma forte crise que se abateu no cinema italiano e dirige o filme Casta diva - Um Grande Amor de Bellini (1935). Essa biografia musical da vida do Cantor Lírico italiano Vincenzo Bellini faz enorme sucesso de público e crítica e torna-se um embrião da sua ideia de levar a Opera para o Cinema. Gallone pertence a uma época em que o cinema italiano queria despertar os grandes césares do império romano, talvez pela influência do fascismo, talvez pela ideia de grandeza de alguns produtores e diretores, certo é que Gallone chegou perto do Olimpo com o seu épico "Scipione l'africano" Scipião, O Africano (1937), o mais grandioso filme da década de 30’, com elefantes e outros animais de verdade usados nas batalhas, além de mais de 6000 figurantes. O filme foi concluido no mesmo ano de inauguração de Cinecittà, o maior estudio cinematográfico da Europa. Interessante que em meio a tantos filmes de valor de Gallone lamentavelmente ele é quase sempre lembrado por Scipione l'africano, realizado em pleno auge do regime fascista e inclusive vencedor do Prêmio Mussolini de Melhor filme no Festival de Veneza de 1937. Outra curiosidade sobre o filme é que Alberto Sordi com apenas 17 anos de idade interpreta um soldado nesse magnífico de proporções gigantescas. Em 1938 Gallone põe em moto sua ideia das Operas líricas filmando Giuseppe Verdi, no decurso dos anos serão aproximadamente 25 filmes nesse gênero. Uma ideia de sucesso uma vez que permite aos frequentadores de salas de cinema conhecer a Opera e os grandes cantores ao custo de um ingresso de cinema. Dentre esses músicos estão Mozart no filme Melodie eterne, 1940; Puccini, 1953 e também filmes de óperas canônicos como Manon Lescaut de 1940; Il Trovatore de 1949, e Madame Butterfly de 1954. Por fim com Carmen di Trastevere (1962), Gallone encerra sua trajetória como Diretor de cinema. Gallone viveu várias épocas do cinema italiano, inicia no cinema mudo, dirige mais de 130 filmes na Itália e no exterior tendo conseguido se reinventar em diversos períodos, viveu a passagem do mudo para o sonoro sem perder a qualidade em seus filmes e consegue adaptar seu gosto pelas Operas à linguagem do cinema. Carmine Gallone morre em Roma em 11 março de 1973.

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com

Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.

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