quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Carlo Di Palma, o cineasta que dá forma à atmosfera europeia no cinema

Monica Vitti e  Richard Harris em Il deserto rosso (1964)

Carlo Di Palma nasce em 17 de abril de 1925, em Roma, Itália. Diretor de fotografia, operador de câmera, diretor cinematográfico. Dentre as funções que atua no cinema a mais celebre de todas é a de diretor de fotografia; o legado de sua arte emociona gerações pela beleza de sua fotografia tanto em preto e branco como colorida, um lenimento aos olhos. Em Romanzo di un giovane povero (1942), de Guido Brignone já é possível ler o seu nome nos créditos, depois em em Obssessão (1943) de Visconti. Di Palma é requisitado por diretores italianos, franceses, hungaros e na década de 80’ atravessa o atlântico e confirma sua marca registrada nos filmes de outros colegas; no do americano Wood Allen em Hannah e Suas Irmãs (1983), e no do brasileiro Bruno Barreto em Gabriela (1983). Di Palma também estudou na prestigiosa escola romana de cinema, a CSC. A partir dos anos 60’ sua fotografia é responsável pela beleza de importantes filmes como L'assassino (1961) de Petri. Os primeiros experimentos em colorido de Antonioni em Il deserto rosso (1964), cuja fotografia riqueza cromática de tons complementa parte importante da psicologia da personagem de Monica Vitti na história. Ainda com Antonioni dirige Blow-up (1966), cuja iluminação Di Palma surpreende com o que há de mais inovador para a época, a ponto de Stanley Kubrick, que no mesmo período filmava 2001 Odisséia no Espaço (1968), fizesse uso de seu estilo em uma cena desse seu clássico de ficção cientifica e convidando Di Palma para dirigir a fotografia. Ainda na década de 60’ dirige a fotografia para filmes de Risi, Monicelli, Bertolucci, Zampa, só para citar alguns. Em 1970 passa a ocupar a cadeira de diretor, dirige três comédias apenas em toda sua carreira, todos com sua esposa Monica Vitti como protagonista: Teresa la ladra = Teresa a ladra (1973), Qui comincia l'avventura = Aqui Começa a Aventura (1975), Mimì Bluette... fiore del mio giardino = Mimì Bluette... flor do meu jardim (1976), filmes que gozam de boa receptividade, principalmente o elogiado Teresa la ladra. Em 1983, já muito reconhecido internacionalmente registra sua magnífica fotografia em filmes de Allen, um período que pode se dizer ser o do encontro de dois gênios da cinematografia mundial, quando juntos recriam a atmosfera europeia na América, tanto valorizada por Allen e recriada para os seus filmes graças a Di Palma. São desse período algumas joias de celuloide, como Hannah e Suas Irmãs (1983), A Era do Rádio (1987), Setembro (1987), Simplesmente Alice (1990), Maridos e Esposas (1992) e Desconstruindo Harry (1997), num total de 14 anos de um criativo e prospero relacionamento. Carlo Di Palma morre em 9 de julho de 2004 em Roma, Itália.

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com

Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.

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