domingo, 27 de janeiro de 2019

Renato Castellani, o criador do subgênero neorrealismo rosa


Vincenzo Musolin e Maria Fiore em Due soldi di speranza de Renato Castelanni
Renato Castellani nasce em Varigotti di Finale, Liguria, Itália em 4 de setembro de 1913. Roteirista e diretor cinematográfico. Castellani se forma em arquitetura pela Universidade de Milão, contemporaneamente trabalha para a Cineguf Lombarda, ao final da láurea decide continuar com cinema e abandonar a arquitetura. Castellani segue então para Roma e aporta em Cinecittà, a cidade do cinema, lá faz alguns roteiros para Mario Soldati e Alessandro Blasetti. Ao mesmo tempo consegue trabalho como assistente de Mario Camerini, o grande diretor de cinema italiano da época, no filme Il grande appello (1936) e em outros do mesmo diretor. O trabalho com Camerini e também para Alessandro Blasetti o prepara para escrever sob os códigos cinematográficos do cinema italiano, e a partir de um conto de Alexander Puskin elabora o roteiro de seu primeiro filme como diretor. Chama-se Un colpo di pistola (1942), e tem a colaboração de Mario Bonfantini, Corrado Pavolini e Mario Soldati, um filme com uma composição e inspiração em elementos pictóricos, experiência mimética ainda pouco explorada na época que são enriquecidas por movimentos de câmera constantes que surpreendem. Tais características de filmagem iriam se tornar um estilo de Castellani em seus próximos filmes, assim como o seu perfeccionismo, até mesmo pelas trilhas sonoras, especialmente criadas para os seus filmes. Sua cinematografia é composta de vários momentos aparentemente contraditórios em função dos diferentes temas que aborda, contudo, a pesquisa é sempre presente e com o propósito de inovar abrindo-lhe novos caminhos, novas linguagens no meio cinematográfico. Um bom exemplo é a sua tentativa de alinhar-se ao movimento neorrealista iniciado pelo contemporâneo Roberto Rossellini levando-o a criar o subgênero neorrealismo rosa, o qual ganhou inúmeros seguidores nos jovens diretores da época. Castellani é um diretor que contribuiu enormemente para consolidar o “cinema pesquisa italiano” símbolo pelo qual é conhecido mundialmente e um dos maiores diferenciais da produção italiana em comparação a visão capitalista da industria de Hollywood, onde nem sempre a inovação era bem-vinda na sua rede produtiva cinematográfica. A cinematografia de Castellani contêm a essência da experimentação, como pode ser observado nos filmes Sotto il sole di Roma – Sob o sol de Roma (1948), Due soldi di speranza - Dois Vinténs de Esperança (1952), I sogni nel cassetto - No Limiar da Realidade (1957), Nella città l'inferno, Inferno na Cidade (1959) e em Una breve stagione - Um Verão com Você (1969). A partir de 1970 Castellani migra para a TV italiana onde continua a explorar novas linguagens nesse veículo que se consolidava nessa década na Itália. Castellani morre em Roma em 28 de setembro de 1985, sua cinematografia é injustamente esquecida e lamentavelmente muito pouco visitada.

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com Texto ensaio do livro

"Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.

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