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| Vincenzo Musolin e Maria Fiore em Due soldi di speranza de Renato Castelanni |
Renato Castellani nasce em Varigotti di Finale,
Liguria, Itália em 4 de setembro de 1913. Roteirista e diretor cinematográfico.
Castellani se forma em arquitetura pela Universidade de Milão,
contemporaneamente trabalha para a Cineguf
Lombarda, ao final da láurea decide continuar com cinema e abandonar a
arquitetura. Castellani segue então para Roma e aporta em Cinecittà, a cidade
do cinema, lá faz alguns roteiros para Mario Soldati e Alessandro Blasetti. Ao mesmo tempo consegue trabalho
como assistente de Mario
Camerini, o grande diretor de cinema italiano da época, no filme Il grande appello (1936) e em outros do
mesmo diretor. O trabalho com Camerini e também para Alessandro Blasetti o
prepara para escrever sob os códigos cinematográficos do cinema italiano, e a
partir de um conto de Alexander Puskin elabora o roteiro de seu primeiro filme
como diretor. Chama-se Un colpo di
pistola (1942), e tem a colaboração de Mario Bonfantini, Corrado Pavolini e
Mario Soldati, um filme com uma composição e inspiração em elementos pictóricos,
experiência mimética ainda pouco explorada na época que são enriquecidas por movimentos
de câmera constantes que surpreendem. Tais características de filmagem iriam se
tornar um estilo de Castellani em seus próximos filmes, assim como o seu
perfeccionismo, até mesmo pelas trilhas sonoras, especialmente criadas para os
seus filmes. Sua cinematografia é composta de vários momentos aparentemente
contraditórios em função dos diferentes temas que aborda, contudo, a pesquisa é
sempre presente e com o propósito de inovar abrindo-lhe novos caminhos, novas
linguagens no meio cinematográfico. Um bom exemplo é a sua tentativa de
alinhar-se ao movimento neorrealista
iniciado pelo contemporâneo Roberto Rossellini levando-o a criar o subgênero neorrealismo rosa, o qual ganhou
inúmeros seguidores nos jovens diretores da época. Castellani é um diretor que
contribuiu enormemente para consolidar o “cinema pesquisa italiano” símbolo pelo
qual é conhecido mundialmente e um dos maiores diferenciais da produção
italiana em comparação a visão capitalista da industria de Hollywood, onde nem
sempre a inovação era bem-vinda na sua rede produtiva cinematográfica. A
cinematografia de Castellani contêm a essência da experimentação, como pode ser
observado nos filmes Sotto il sole di
Roma – Sob o sol de Roma (1948), Due
soldi di speranza - Dois Vinténs de Esperança (1952), I sogni nel cassetto - No Limiar da Realidade (1957), Nella città l'inferno, Inferno na Cidade
(1959) e em Una breve stagione - Um
Verão com Você (1969). A partir de 1970 Castellani migra para a TV italiana
onde continua a explorar novas linguagens nesse veículo que se consolidava nessa
década na Itália. Castellani morre em Roma em 28 de setembro de 1985, sua
cinematografia é injustamente esquecida e lamentavelmente muito pouco visitada.
Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com Texto ensaio do livro
"Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.

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