quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Franco Rossi, dirigiu talvez o melhor filme da dupla Bud Spercer e Terence Hill.

Bud Spencer e Terence Hill
Franco Rossi nasce em 28 de abril de 1919, em Florença, Toscana, Itália. É um dos cineastas mais inteligentes e com obras autorais de maior significado para a cinematografia na história do cinema italiano. Inicia pelas mãos de Vergano, Camerini, Castellani, para quem foi assistente de direção. Seu debute na direção ocorre em Solo per te Lucia (1952), mas será Il sedutore (1954), o seu melhor filme dessa década; divertido, romântico, ao estilo “comédia de casais que não vão bem na relação”. O filme é ainda uma das melhores interpretações da primeira fase da carreira de Alberto Sordi ambientado em Roma, a cidade natal de Sordi. No início da década de sessenta, agora sob influência do ritmo da vida romana e na eminência de dirigir Smog um de seus mais autobiográficos trabalhos, Rossi revela:
Eu não sou de Roma, mas de Roma eu gosto de tudo, méritos e defeitos, vícios e virtudes. Pertenço à geração daqueles provincianos que, subitamente se veem vivendo na capital pouco depois da guerra, enamoram-se imediatamente dos sorrisos das mulheres e da tranquila arrogância dos homens. (...) (Franco Rossi) (FALDINI&FOFI, 1984, p. 427) Trad. Autor.


Sob essa visão da cidade eterna nasce “Smog” (1962), uma espécie de Dolce vita ao contrário, no qual Rossi investiga italianos que vivem em Hollywood submetendo-se a uma vida materialista, privada de valores humanos e trabalhando como serviçais de americanos ricos e de vida fútil. Esse pequeno mundo ilusório é questionado pelo advogado materialista Vittorio Ciocchetti interpretado com primazia por Enrico Maria Salerno. O filme conta com um roteiro inteligente e diálogos muito bem construídos por um grupo seleto de talentos como Franco Brusati, Pasquale Festa Campanile, além de interpretações surpreendentes de Annie Girardot e Renato Salvatori, que na época eram casados. O outro grande filme autoral de Rossi é o anterior a Smog, cujo ator Enrico Maria Salerno também interpreta uma espécie de antropólogo e se chama Odissea nuda (1961), ambientado no Taiti e na Polinésia francesa. Os dois filmes juntos representam grandes momentos de sua carreira, duas verdadeiras obras de arte da cinematografia mundial. Mas de repente desvia o foco para produções comerciais e é seduzido pela TV. Faz inúmeros filmes comerciais, e pequenas participações em curtas metragens ao lado de outros diretores sobrando pouco de sua marca, cujo ritmo dinâmico e reflexivo permanecem como única coisa boa de seu estilo. Em 1968 Rossi está definitivamente trabalhando como empregado na RAI, sendo responsável pelo primeiro projeto de mini série levado ao ar pela emissora, Odissea. Dirige todos os oito episódios que inauguram um seguimento televisivo que fará tremendo sucesso na TV. Na década de 70’, quando sua carreira parece estagnar-se ele dirige outra vez para a tela grande Porgi l'altra guancia - Dois Missionários do Barulho (1974), curiosamente o melhor filme da dupla Bud Spercer e Terence Hill e exibido pela RAI na abertura da celebração à Bud Spencer na ocasião de sua morte em 2016. Rossi morre em 05 de junho de 2000, em Roma.

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com

Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário