sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Tonino Valerii, o cineasta que inovou o gênero velho oeste

Terence Hill em Il mio nome è nessuno.

   O gênero western na Itália frutificou num terreno seco de criatividade, quando Fellini, Antonioni e outros cineastas estavam já há bastante tempo sem produzir. Havia uma grande crise no cinema italiano; muitos profissionais do cinema: fotógrafos, cenógrafos, eletricistas etc., estavam procurando outras atividades fora de Cinecittà, quando então veio uma tempestade chamada spaghetti western e o maior fúlmen desse período foi Sergio Leone e os seu discipulo mais empenhado e produtivo do ponto de vista da inventividade no gênero, foi Tonino Valerii. Tonino Valerii nasce em 20 de maio de 1934, em Teramo, Abruzzo, Itália. Assistente de direção, roteirista e diretor cinematográfico. Uma curiosidade de seu sobrenome ter dois “i’s” remonta ao passado francês de sua família; seu bisavô era um capitão do exercito francês que vem à Itália para combater em uma guerra e não retorna mais à França, cujo sobrenome Valeri vem alterado pelo avô que não gostava da identidade estrangeira e acrescenta um “i” a mais para diferenciar-se. Valerii é um artista do cinema italiano que se destaca no gênero spaghetti-western, onde é criativo, inventivo, inteligente e também inovador da técnica cinematográfica desse aclamado gênero. Antes de ingressar na profissão formou-se no Centro Sperimentale di cinematografia como diretor e roteirista, torna-se conhecido já no seu primeiro trabalho devido à popularidade do cantor italiano Domenico Modugno para o qual realiza Tutto è musica (1961), Valerii dirige e escreve a história do cantor. Ainda na fase de experiência trabalha como assistente de direção para Camillo Mastrocinque em La cripta e l’incubo - O Túmulo do Horror (1964), cujo roteiro e história Valerii escreve junto de Ernesto Gastaldi. A repercussão positiva desses dois trabalhos serve de vitrine a Valerii que durante a realização do clássico Per un pugno di dollari - Por Um Punhado de Dólares (1964) é convidado por Leone para ser seu assistente de direção, onde acaba também por dirigir a segunda unidade do filme, todavia, seu nome não vem creditado junto de outros que atuaram no mesmo departamento. Já em Per qualche dollaro in più - Por uns Dólares a Mais (1965), o segundo da trilogia do dólar, também de Leone, seu nome já aparece como assistente de direção nos créditos além de naquele de diretor de segunda unidade, motivo suficiente para ele se tornar uma estrela da noite para o dia. 
Il mio nome è Nessuno - Terence Hill e Henry Fonda (1973)
   Os filmes de Tonino Valerii tem uma marca própria, possuem uma carga psicológica que se sobrepõe a técnica propriamente dita ao dar ênfase a uma tonalidade violenta aos seus personagens, que se colocam quase sempre em oposição às regras de comportamento socialmente estabelecidas, como é possível notar em Per il gusto di uccidere - Pelo Prazer de Matar (1966), filme debute de Valerii como diretor. Em Il mio nome é nessuno – O meu nome é ninguém, filme idealizado e produzido por Leone, a história é construída sob os cânones clássicos do mito. A primeira aparição do anti-herói de nome Ninguém (Terence Hill) é uma cena em que ele emerge das águas de um rio, uma metáfora do nascimento segundo Leone. O filme com uma carga de humor inusitada para um western é a terceira maior bilheteria do ano de seu lançamento e consagra Tonino Valerii como um grande diretor. Durante os anos 2000 Valerii ministra cursos de cinema nos E.U.A, onde possui uma legião de fãs, dentre eles Quentin Tarantino que usa em Kill Bill vol. 2 uma música de Riz Ortolani do filme I giorni dell'ira - Dias de Ira (1967) de Tonino Valerii, bem como repete a violência cínica e niilista típica das personagens de Valerii. O livro Manual de Assistente de direção escrito por Valerii é de grande valor aos jovens iniciantes na carreira de cineasta, onde ele além de apresentar a sua técnica também conta sua experiência no set com grandes cineastas como Mastrocinque, Leone etc. É também de Valerii a iniciativa de criar o prêmio de fotografia de Venanzo e o festival de resenhas Roseto opera prima, dedicada a incentivar os jovens cineastas estreantes. Tonino Valerii morre em 13 de outubro de 2016 em Teramo, Abruzzo, Itália.

Luiz Chiozzotto
chiozzottoit@gmail.com

Texto ensaio do livro "Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema" de Luiz Chiozzotto.

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